
Não
aprecio textos longos para a internet até mesmo por que, do ponto de
vista da comunicação on-line, eles não são os ideais. Porém, há casos em
que uma resposta mais longa se torna necessária, especialmente quando a
verdade dos fatos está em jogo (Jd 1:3, 4), comprometendo
assim a espiritualidade das pessoas, que estão sendo influenciadas
terrivelmente pela mentira (Ap 22:15).
Recebi uma mensagem do internauta Maurício Moraes, onde ele apresenta
os comentários do “Ministério Cristão Apologético” (MCA) a respeito do
“ministério profético/místico” de Ellen White. Em seu post, o escritor
do MCA, que se chama Luciano, propõe, através de várias “considerações”,
que o bonito e prolífico ministério de Ellen é a “operação do erro de
Satanás”, mencionada em 2 Tessalonicenses 2:9-11.
A ignorância é a mãe das “desvirtudes” (peço licença para uso do
neologismo) e, nas poucas vezes que acessei o site de tal “ministério
apologético”, percebi que ela (a ignorância) é “idolatrada” também por
tal oponente. Só Deus sabe se ele presta esse falso “culto” motivado
pelo ódio, e/ou ignorância quanto a existência de fontes primárias, e
das respostas adventistas já publicadas a questionamentos que ele toma
emprestado de outros críticos. Não posso julgar (Mt 7:1, 2).
Não vou me ater à “exegese” (interpretação) proposta pelo autor em
torno de 2 Tessalonicenses 2:9-11, pois, ela é tão descabida que não há
um comentarista sério (e nem os tão sérios assim…) que aceite um absurdo
interpretativo daquele calibre. Vou me deter nas distorções históricas e
doutrinárias para que você, leitor, avalie por si mesmo o grau de
conhecimento histórico dos inimigos de Ellen White e conclua se eles são
realmente dignos de algum crédito.
BOLA FORA – PARTE 1
Se a precisão histórica de tal apologista fosse tão aguçada quanto seu zelo contra o adventismo,
ele teria tido contato com literatura produzida oficialmente pela
Igreja Adventista, para que a pesquisa dele fosse digna de confiança.
Veja a seguir as ousadas “considerações” do MCA e os tremendos
“bolas-fora” da parte do referido escritor:
Ao considerar que
“Ellen White se desviou de uma igreja cristã! (Hb 6.1-5; 1 Jo 2.19)”, ele deveria ter informado seus leitores que ela saiu do metodismo por ter abraçado algumas verdades adicionais, porém,
jamais abandonou a fé cristã.
Além disso, a compreensão adventista sobre a justificação pela fé é
mais parecida com a apresentada por Wesley – e isso, obviamente, teve
influência de Ellen White que, mesmo sendo co-fundadora do adventismo,
nunca abandonou, por exemplo, a doutrina da Salvação pela graça que havia aprendido em sua antiga denominação.
Na nova igreja, através do estudo da Bíblia e inspiração de Deus, ela
aperfeiçoou os próprios conceitos. Aperfeiçoar a própria teologia pode
fazer parte da experiência de vida de qualquer pessoa que tenha a mente
aberta e disposta a mudar seus conceitos. Nada há de errado nisso, desde
que a Bíblia influencie tais mudanças.
Bastaria uma leitura do livro
Caminho a Cristo e um breve estudo sobre o
“Desenvolvimento das Doutrinas Adventistas”
para evitar tamanha distorção. Com a leitura desse livro e de um estudo
sobre desenvolvimento das doutrinas adventistas, o autor teria
percebido que Ellen White jamais abandonou a doutrina metodista da
salvação pela fé e importância de uma vida santificada em Cristo (1Co
1:2; Rm 6:22; Rm 6:22).
Ao considerar que
“Ellen White não se importou com advertência de Jesus em Mt 24.36! (Lc 21.8) o referido apologista deveria ter informado que Ellen White
nunca
marcou datas para a volta de Jesus. Foi o batista Guilherme Miller quem
marcou um período para a volta de Cristo (1843) e, posteriormente, o
evangélico Samuel Snow (22 de outubro de 1844), quem se aventuraram
nessa área.
Ellen White fez parte do grupo que creu nas pregações de Miller e que
ficou decepcionado por Cristo não ter voltado no momento estipulado.
Todavia, por causa de tal amarga experiência e
depois que
foi chamada por Deus para ser profetisa, foi contra qualquer tentativa
de se marcar datas para a volta de Cristo. Apenas uma leitura do livro
Mensagens Escolhidas, vol. 1 teria ajudado o oponente a evitar tamanho deslize. Na página 188 ela escreveu:
“Progredíssemos
nós em conhecimento espiritual, e veríamos a verdade se desenvolvendo e
expandindo em sentidos com que mal temos sonhado, porém ela jamais se
desenvolverá em quaisquer direções que nos levem a imaginar que podemos
saber os tempos e as estações que o Pai estabeleceu por Seu próprio
poder. Tenho sido repetidamente advertida com referência a marcar tempo.
Nunca mais haverá para o povo de Deus uma mensagem baseada em tempo. Não devemos saber o tempo definido nem para o derramamento do Espírito Santo nem para a vinda de Cristo.”
Ao considerar que Ellen White era falsa por que
“[...] conviveu e comungou com arianos que blasfemaram contra a doutrina da Trindade… (Jd 4)”, ele desconsiderou que o adventismo era composto por pessoas de
várias confissões religiosas e que, portanto, é natural que,
no processo formativo, houvesse entre o movimento pessoas que não partilhavam de todas as doutrinas.
Se o oponente tivesse feito uma leitura do livro
Em Busca de Identidade,
do historiador adventista George Knight, teria compreendido melhor o
processo formativo da doutrina da Trindade no adventismo. Além disso, se
ele realmente estivesse preocupado em informar o seu publico, não teria
sido tão seletivo a ponto de não informar que Ellen White era
trinitariana e acreditava na Divindade de Cristo. E não poderia ser
diferente, pois, ela veio do metodismo.
Uma leitura do livro
Evangelismo, págs. 613-617 também teria ajudado, bem como a citação da Sra. White em
O Desejado de Todas as Nações,
p. 530, onde ela afirma que “em Cristo há vida original, não emprestada, não derivada”.
Não merece maiores comentários o absurdo preconceito que ele
manifestou, ao insinuar que não podemos conviver com pessoas que pensam
diferente de nós. Com base nisso, alguém poderia pensar (e com razão) se
o Ministério Cristão Apologético (MCA) não estaria tendo um
comportamento nada cristão ao fazer “acepção de pessoas” (Rm 2:11).
Ao considerar que
“Ellen White disse absurdos que hoje são omitidos de seus livros.”, o MCA poderia ter informado os leitores
quais são esses absurdos, para que sua afirmação não ficasse tão vaga, e para que isso pudesse ser verificado por cada leitor.
Ao considerar que
“Ellen White plagiou muitos de seus livros [...]”, fica evidente que o autor não conhece (ou desconsiderou) que
a
própria profetisa reconheceu que fez uso de outras fontes para
expressar melhor os conceitos que Deus revelou para ela em visão
– assim como o fizeram, por exemplo, os profetas bíblicos (canônicos)
Lucas (Lc 1:1-4) e Judas (1:9; 14, 15). Bastaria a leitura da
introdução do livro
O Grande Conflito para comprovar que ela
nunca afirmou que tudo o que ela usou em seus livros eram de sua autoria:
“Os grandes acontecimentos que assinalaram o progresso da Reforma
nas épocas passadas, constituem assunto da História [...] Esta história
apresentei-a de maneira breve [...] Em alguns casos em que
algum historiador agrupou os fatos de tal modo a proporcionar [...] uma
visão compreensiva do assunto, resumiu convenientemente os pormenores,
ou suas palavras foram citadas textualmente; nalguns outros casos,
porém, não se nomeou o autor, visto como as transcrições não são feitas
com o propósito de citar aquele escritor como autoridade, mas porque sua
declaração provê uma apresentação do assunto, pronta e positiva.”
Muito estranho um plagiador reconhecer que fez uso de fontes
fidedignas e até mesmo recomendar em outras ocasiões que as pessoas
lessem tais fontes!
Além disso, o MCA não informou aos internautas que o Patrimônio
Literário Ellen G. White, órgão oficial da Associação Geral dos
Adventistas do Sétimo Dia,
há 32 anos anos elaborou uma
resposta às acusações de plágio vindas de Walter Rea. Tal documento
está disponível no site do Centro de Pesquisas EGW no Brasil e você
poderá acessá-lo clicando
aqui
BOLA FORA – PARTE 2
Ao considerar que
“Ellen White foi umas das pessoas que mais chamaram O Dia do Senhor de marca da Besta demoníaca… (Ap 1.10)
o oponente demonstrou mais uma vez desconhecimento da real posição do
adventismo – agora, a respeito do domingo e a marca da besta. Apenas uma
leitura do livro
O Grande Conflito,
páginas 443 e 459, seria suficiente para mostrar que Ellen White crê que o domingo
será a marca da besta e não que
é.
A autora até mesmo diz que muitos observadores sinceros do domingo
serão salvos por que viveram de acordo com a luz que receberam.
Confira-se tais declarações na íntegra clicando
aqui.
Ao considerar que “
Ellen White aceitou ser considerada uma mensageira inspirada para o tempo do fim! (Jr 23.16)”,
o autor demonstrou total desconhecimento da opinião particular de Ellen
White sobre a missão dela. Apesar de ela ter aceitado o dom profético,
jamais usou isso como motivo de orgulho pessoal e muito menos afirmou
que ela era
a profetisa para o tempo do fim.
Se o apologista do MCA tivesse lido
Mensagens Escolhidas, vol. I, págs. 31-35
saberia que ela não fazia questão de “alardear” sobre seus dons
espirituais, como o fazem os atuais falsos ensinadores. Além disso, se o
oponente conhecesse o comentário dela a respeito de Atos 2:17, 18, por
exemplo, teria informado seus leitores de que Ellen White acreditava na
abrangência do dom profético, não sendo, portanto, a única a recebê-lo
(Pode ser que no tempo do fim, tenha sido a última com as qualificações
dela. Não o sabemos. Só o tempo dirá).
Ao considerar que
“Ellen White canonizou uma doutrina que ensina que o Senhor Jesus entrou no Santíssimo apenas em 1844. (Hb 9.24,25)”,
o referido ministério apologético teria evitado mais uma distorção se
tivesse consultado a tese doutoral de Alberto Timm, intitulada
O Santuário e as Três Mensagens Angélicas: Fatores Integrativos no Desenvolvimento das Doutrinas Adventistas, disponível em português pela Imprensa Universitária Adventista (Unaspress).
A referida obra mostra que a doutrina do santuário passou por quatro
períodos na história adventista, que começa a partir de 1844 e vai até
os nossos dias. Esse reducionismo histórico-doutrinal por parte do MCA
não levou em conta todo o processo formativo da referida doutrina pelo
desconhecimento de uma importante obra sobre o assunto, como a de
Alberto Timm.
Pioneiros adventistas como J.N. Andrews, Tiago White e Urias Smith, por exemplo, elaboraram a teologia da referida doutrina
apenas com base no estudo da Bíblia, pois, o uso abundante das Escrituras era uma característica marcante do adventismo naquele período.
Desse modo, em hipótese alguma foi necessária uma “canonização” por
parte de Ellen White para que a teologia do Santuário se tornasse parte
do adventismo. Se ela tivesse estabelecido tal doutrina, a igreja não
teria, décadas após a morte dela, produzido literatura abalizada, como a
série de sete volumes produzida pelo Bibical Research Institute, para
analisar de maneira mais exegética as implicações da doutrina do
santuário para toda teologia adventista.
É importante destacar que as visões da profetisa apenas
confirmaram as descobertas que os pioneiros
haviam feito na Bíblia. Se o responsável pelo MCA tivesse consultado a obra
Mensageira do Senhor, de Herbert E. Douglass,
p. 171,
teria evitado mais um deslize histórico, ao ser informado de que no
período de formação doutrinária, os adventistas passavam dias e noites
inteiras
estudando a Bíblia e não os escritos de Ellen White, para estabelecer suas crenças fundamentais.
Apenas quando os pioneiros se encontravam diante de um impasse, cada
um com uma opinião diferente sobre um assunto, Ellen White recebia uma
visão para confirmar se a opinião do irmão A, B ou C estava correta.
Nunca doutrinas “dela” estiveram em discussão, pois, todo conhecimento doutrinário era fruto do estudo das Escrituras.
Outro detalhe: apesar de nós adventistas crermos que Jesus começou
outra fase de Sua obra sumo sacerdotal no santuário celestial (Hb 8:1,
2; 4:14-16) em 1844 (temos como base o cálculo da profecia das 70
semanas de Daniel 9 e 8:14), não cremos que Ele ficou “trancafiado” no
lugar santo até esse período, como alega o oponente. Desse modo, seria
importante que o MCA apresentasse alguma fonte adventista que afirme ter
Cristo ficado “preso” no lugar santo do santuário, sem acesso algum ao
lugar santíssimo, até 1844.
Ao considerar que
“Ellen White ensina que satanás levará por fim a punição dos pecados dos salvos. (Is 53.5)”,
o MCA não informou seus leitores de que crença de que o bode Azazel é
um símbolo do Diabo, que será punido e responsabilizado pelos pecados
que levou os outros a cometerem, é uma crença compartilhada por eruditos
cristãos não adventistas.
Bastaria uma consulta ao livro
Questões Sobre Doutrina, p. 284-287 para verificar uma lista com
dezenas
de estudiosos não adventistas, entre eles J. Russel H Howden
(anglicano), Samuel M. Zwemer (presbiteriano), E. W. Hengstenberg
(luterano), J.B. Rotherham (de uma igreja chamada Discípulos de Cristo),
Guilherme Jenks (congregacionalista), William Milligan, James Hastings e
William Smith (presbiterianos), John M’ Clintock e James Strong
(metodistas), etc.
Por que o MCA não considera tais eruditos como “hereges”, sendo que
pensam de modo parecido (não igual) com Ellen White? Estaria o seu
preconceito contra o adventismo ofuscando a sua objetividade?
Ao considerar que
“Ellen White chamou as falsas profecias dos adventistas de acontecimentos Bíblicos.”,
o Ministério Cristão Apologético (MCA) continuou demonstrando total
desconhecimento da história adventista e seu uso precário de fontes
primárias. Bastaria uma leitura do livro
História do Adventismo,
de C. Merwyn Maxwell para ele perceber que os adventistas nunca fizeram
“profecias”, como ele afirma. Faltou por parte do MCA uma explicação
melhor do que seriam tais “profecias” feitas pelos adventistas e quais
delas foram chamadas por Ellen White de “acontecimentos bíblicos”. Será
que ele confundiu
conclusões doutrinárias com
predições proféticas?
É difícil de imaginar que alguém que se propõe a defender ardorosamente
a fé cristã possa ser ignorante quanto ao assunto e não saiba
diferenciar
opiniões teológicas de
profecias. Não creio que isso tenha ocorrido, mas, há possibilidade.
BOLA FORA – PARTE 3
E os bolas-fora do MCA não terminaram.
Ao considerar que
“Ellen White ensinou que a porta da salvação ficou fechada de 1844 até 1851” o
MCA prestou mais um desserviço aos leitores de seu site. Se ele tivesse
se informado da existência de uma carta de Ellen White escrita em 1874 a
J. N. Loughborough, teria visto que ela mesma se defende desse tipo de
falsa acusação propagada pelos críticos desinformados. O fato de Ellen
White ter esclarecido a questão
há 138 anos prova que esse e outros críticos da Sra. White estão bem “atrasados” e desatualizados.
Na referida carta ela escreveu:
“[...] Nunca tive, porém, uma
visão de que pecadores não mais se converteriam. E sinto-me livre para
declarar que ninguém nunca me ouviu dizer ou leu de minha pena
declarações que os justifiquem [os críticos] nas acusações que têm feito
contra mim nesse ponto [...] Jamais declarei ou escrevi que o mundo
estava condenado ou reprovado. Nunca, sob nenhuma circunstância,
empreguei tal linguagem para com alguém, por mais pecador que fosse
[...]”.
Bastaria uma leitura do Sumário a respeito do assunto, no livro
Mensageira do Senhor, p. 509,
para constatar que Ellen White empregou o termo “porta fechada” como
uma expressão para descrever o que aconteceu no Céu em 22 de outubro de
1844: Cristo fechou
a porta do lugar santo do santuário celestial em 1844 e abriu a porta do lugar santíssimo para iniciar Seu ministério Sumo Sacerdotal.
Ao considerar que
“Ellen White considerou ALGUMAS RAÇAS de pessoas, que são imagem de Deus, sendo resultado de cruzamentos de animais com pessoas”, o autor só evidenciou seu doentio preconceito contra a profetisa adventista, ao acusa-la de racismo.
Apenas uma leitura do já citado
Mensageira do Senhor, págs. 214-216,
seria suficiente para descobrir que em 1891, 1895 e 1896, através de
artigos publicados na “Review and Herald”, ela estimulou os esforços
educacionais e evangelísticos em favor dos negros e deu origem a uma
obra na qual seu próprio filho, Tiago Edson, tomou parte ativa.
Para o trabalho ser possível, Edson produziu um livro que seria usado
para (1) levantar fundos (2) ensinar analfabetos a ler e (3) ensinar as
verdades bíblicas em linguagem simples. Ele fazia uso de um barco
(conhecido como Morning Star) para evangelizar os descendentes dos
escravos em lugares que viviam em lugares menos favorecidos.
Além de enviar missionários para que trabalhassem entre as
comunidades negras, a Sra. White exaltou o valor de todas as raças
diante de Deus:
“O nome do negro está escrito no livro da vida, junto do nome do branco. Todos são um em Cristo. O nascimento, a posição, nacionalidade ou cor não podem elevar nem degradar os homens. O caráter é que faz o homem. Se um pele-vermelha, um chinês ou africano rende o coração a Deus em obediência e fé, Jesus não o ama menos por causa de sua cor. Chama-lhe Seu irmão muito amado” (“The Southern Work”, pág. 8. Escrito em 20 de março de 1891.
Ela afirmou que os que
“menosprezam um irmão por causa de sua cor estão menosprezando a Cristo” (Citado em “Mensageira do Senhor”, p. 214).
Tais fatos provam que
Ellen nunca foi racista. Sua
dedicação e também a de seu filho no auxílio dos negros menos
favorecidos são uma prova irrefutável de que ela tinha um forte senso de
missão e obedecia a Romanos 2:11, não fazendo acepção de pessoas.
O MCA também está insinuando com tal acusação que Ellen White
“ensinou” ser possível a “amalgamação” (mistura) de homens e animais
para o surgimento de “novas espécies”. O leitor que quiser fazer um
estudo sério sobre o uso que ela faz do termo “amalgamação” em se livro
Spiritual Gifts, vol. 3, pág. 64, poderá acessar uma análise fidedigna clicando
aqui.
O centrowhite.org.br pertence a um órgão oficial da Igreja Adventista
do Sétimo Dia, de modo que o internauta poderá ter informações em
fontes de primeira mão, ao invés de apoiar-se em fontes de “segunda
mão”, como o faz o referido ministério apologético.
BOLA FORA – PARTE 4
Quando pensei que o Ministério “Cristão” Apologético (MCA) tinha
chegado ao seu limite no número de distorções históricas e doutrinárias,
me enganei. No restante de seu infeliz artigo, Luciano continuou
desconsiderando – por ignorância ou má fé, Deus o sabe – as fontes
primárias e as respostas adventistas aos questionamentos que ele pegou
emprestado de outros críticos mais desinformados ainda.
Antes de considerar que
“Ellen White ensinou que a salvação na ‘angústia final’ ou grande tribulação, será pela guarda do sábado”, ele deveria ter feito uma leitura do capítulo “Nossa Única Salvaguarda”, do livro
O Grande Conflito,
para saber que a proteção do crente no desfecho final do Grande
Conflito não está apenas na observância dos mandamentos de Deus (são
importantes, como demonstração de fidelidade e sinal de identificação,
como lemos em Apocalipse 12:17 e 14:12), mas,
em aceitar o conjunto das Escrituras.
Lamentavelmente o MCA empregou um reducionismo teológico
insustentável em sua “leitura” de Ellen White, como pode ser comprovado
pelas citações a seguir do capítulo supracitado:
“O povo de Deus é encaminhado às Santas Escrituras como salvaguarda contra a influência dos falsos ensinadores e poder ilusório dos espíritos das trevas” (pág. 593)
“Pessoa alguma, a não ser os que fortaleceram o espírito com as verdades das Escrituras, poderá resistir no último grande conflito” (Ibidem)
Mais lamentável ainda é que ministérios apologéticos como o MCA, CACP
(Centro Apologético Cristão de Pesquisas) e ICP (Instituto Cristão de
Pesquisas) continuem levando aos seus leitores informações tão
distorcidas sobre os adventistas. Informações que contribuem para que o
reino do “pai da mentira” (Jo 8:44) dure por mais tempo nesse mundo
tenebroso.
Antes de considerar que
“Ellen White estava suscetível ao espiritismo, visto que tinha ‘alucinações’ (visões e sonhos) intermináveis”,
o autor poderia ter lido sobre a experiência que Ellen White teve com
um hipnotizador, onde ela mostrou não ser susceptível a poderes
espíritas, e sim ao poder do Espírito Santo. Caso o responsável pelo MCA
tivesse lido o livro
Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, págs. 719 e 720 para comprovar que as tentativas de um médico mesmerista (nome que, na época, era relacionado à hipnose)
em nada afetaram a profetisa, não teria feito mais uma afirmação insustentável.
Além disso, a leitura de uma breve biografia da autora adventista, disponível
aqui,
seria o bastante para comprovar que as visões e sonhos de Ellen White
não foram “intermináveis”, como alega o MCA. Na verdade foi um total de
aproximadamente 2000 sonhos e visões.
CONCLUSÕES INFELIZES
Depois de todas as suas “considerações”, frutos de seu preconceito e total desinformação, o autor do lançou a pergunta:
“Poderia o ministério de Ellen White ser uma ‘operação do erro’ de Satanás?” Em seguida, apresentou as seguintes conclusões:
Considerando o que a Bíblia diz “A esse cuja vinda é segundo a
eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, E
com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não
receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes
enviará a operação do erro, para que creiam a mentira [...]” 2
Tessalonicenses 2:9-11
… Poderíamos propor que esse ministério profético/místico que
surgiu em torno dessa senhora iludida, pode ser sim, uma operação do
erro que Deus enviaria para as pessoas que não aceitam Sua Palavra, Sua
Verdade. A operação que Satanás teria liberdade de fazer de caráter
religioso.
Acredito que meus amigos adventistas não se sentirão ofendidos
com essa possibilidade, na verdade probabilidade. Pois é por amor, que
temos postado isso. Aos irmãos ‘adventistas’, salvos por Cristo, que
estão libertos desse ‘espírito’, mas ainda estão na IASD. Que sejam
corajosos em ajudar outros a se libertarem de Ellen White. (Disponível em:
http://mcapologetico.blogspot.com/2011/10/poderia-o-ministerio-de-ellen-white-ser.html Acessado em: 23/01/2012).
Não fica difícil percebermos que, se a abordagem dele ao longo de seu
post foi infeliz, as conclusões que ele apresentou não podem ser
diferentes.
CONCLUSÕES ÓBVIAS
Considerando que… O Ministério Cristão Apologético
(MCA) demonstrou ser bem desinformado em relação à história do
adventismo e à compreensão adventista sobre o dom profético dado a Ellen
White (entre outros assuntos), conclui-se que
o responsável por esse ministério deveria ter sido mais responsável
na utilização fontes primárias e literatura adventista oficial. Assim,
não teria prestando tamanho desserviço ao seu público que, por causa da
sua pesquisa precária, não teve acesso às informações fidedignas e
realmente comprovadas.
Além disso, após esses esclarecimentos, o leitor pode facilmente ser
tentado a questionar a precisão de todos os demais artigos do MCA, que
atacam outras religiões. Não estariam os outros movimentos considerados
“sectários” também tendo sua história e doutrinas distorcidas
abertamente como fruto da ignorância e pouco e/ou mau uso de fontes
primárias?
Para finalizar, aplico à atitude do oponente as palavras de Alberto
Timm, em sua réplica ao livro “Seitas Proféticas”, de outro crítico
desinformado, Tácito da Gama Leite Filho:
“Esperar que um apologista não-adventista concordasse com a
compreensão das doutrinas bíblicas dessa Igreja seria, obviamente,
exigir demais de tal pessoa. Mas quando fatos históricos são
distorcidos, a realidade é diferente. No mundo das modernas comunicações
e das fascinantes pesquisas científicas, é inaceitável que um
historiador contemporâneo [ou que se propõe a ser um]
ainda se
permita desconhecer fontes primárias existentes, comprometendo assim não
apenas sua reputação e da editora que publicou a obra [nesse caso, do site do MCA que publicou tais distorções],
mas também a da Universidade em que obteve sua formação acadêmica, e a da denominação religiosa a que pertence.” (Alberto R. Timm, “A Bem da Verdade”. Revista O Ministério Adventista, julho-agosto 1997, pág. 27).
Oro para que o responsável pelo referido ministério apologético pense
nisso com espírito de oração, e permita o Espírito falar-lhe à
consciência para que não continue a propagar distorções em relação ao
adventismo e, consequentemente, persista na transgressão conscienciosa
do 9º mandamento da Lei de Deus, que ordena:
“Não dirás falso testemunho contra o teu próximo” (Ex 20:10).
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