domingo, 25 de dezembro de 2011

A mulher citada em João 8:1-11 é Maria Madalena?


A maioria dos manuscritos antigos do Evangelho de João não contém o texto de João 7:53 a 8:11, onde aparece o relato sobre “uma mulher surpreendida em adultério” (8:3). Mas existem evidências suficientes para crermos que esse relato descreve um incidente genuíno na vida de Jesus, que enfatiza a mesma graça salvadora manifesta no diálogo com a mulher samaritana (João 4:1-42), na parábola do filho pródigo (Luc 15:11-32) e na história de Maria Madalena (João 12:1-8). Ellen White considera o relato de João 8:1-11 uma experiência real, como pode ser observado em O Desejado de Todas as Nações, págs. 460-462; A Ciência do Bom Viver, págs. 86-89; dois artigos na Review and Herald de 25 de novembro de 1902 e 6 de setembro de 1906; e outro artigo na Signs of the Times de 23 de outubro de 1879.
A tentativa de identificar a mulher surpreendida em adultério como sendo a “Suzana” mencionada em Lucas 8:3 não passa de mera conjectura, pois nem o relato bíblico e nem os comentários de Ellen White mencionam o nome dessa mulher. Ellen White sugere que a mulher era casada (O Desejado de Todas as Nações, pág. 461) e que fora induzida “ao pecado” pelos seus próprios acusadores com a intenção de “armar uma cilada para Jesus” (Review and Herald, 25 de novembro de 1902). Mas o encontro dela com o Salvador marcou “o início de uma nova vida, vida de pureza e paz, devotada ao serviço de Deus”, transformando-a em um dos “mais firmes seguidores” de Jesus (O Desejado de Todas as Nações, pág. 462) e “um dos mais resolutos amigos de Jesus” que esteve com Ele mesmo “ao pé da cruz” por ocasião da crucifixão (Signs of the Times, 23 de outubro de 1879).
Já Maria Madalena é identificada nos Evangelhos como a pessoa de quem Jesus expulsou “sete demônios” (Mar. 16:9; Luc. 8:2), e que presenciou a crucifixão e o sepultamento de Cristo (Mat. 27:56, 61; João 19:25). Foi a ela que Cristo apareceu primeiro depois de ressuscitado, tornando-se a primeira porta-voz da ressurreição (Mat. 28:1-10; Mar. 16:1-11; Luc. 24:1-11; João 20:1-18). Comentaristas bíblicos questionam, porém, se a unção de Jesus mencionada em Lucas 7:36-50 seria a mesma registrada em João 12:1-8 (ver também Mat. 26:6-13; Mar. 14:3-9), realizada por Maria Madalena.
Em harmonia com uma antiga tradição cristã, Ellen White confirma que foi realmente Maria Madalena quem ungiu com perfume a Jesus no banquete na casa de Simão (O Desejado de Todas as Nações, pág. 566). Somos informados pela mesma autora que Maria Madalena era a irmã de Marta e Lázaro (ibid., pág. 568), e que ela fora induzida “ao pecado” pelo próprio Simão (ibid., pág. 566). Além disso, ela “foi a última a deixar o sepulcro do Salvador, e a primeira a ser por Ele saudada na manhã da ressurreição” (O Maior Discurso de Cristo, pág. 129).
A tentativa de identificar Maria Madalena como sendo a mulher surpreendida em adultério (João 8:1-11) é passível de contestação. Em primeiro lugar, como já mencionado, nem a Bíblia e nem Ellen White jamais chamam essa mulher de Maria Madalena. Nem mesmo o Seventh-day Adventist Bible Commentary e nem os demais comentários sobre o Evangelho de João consultados na pesquisa para este artigo fazem tal associação. A existência de uma tradição cristã antiga que corroborasse essa associação parece descartada por Carmen Bernabé Ubieta em sua obra María Magdalena: Tradiciones en el Cristianismo Primitivo (Estella, Espanha: Verbo Divino, 1994), onde nem ao menos aparece qualquer alusão ao texto de João 8:1-11.
Por outro lado, John Fisher, um dos oponentes de Lutero, publicou em 1508 uma exposição homilética na qual ele identificava Maria Madalena como sendo a mulher surpreendida em adultério (Jaroslav Pelican, The Christian Tradition, vol. 4, pág. 131). Mais recentemente, Morris Venden popularizou essa interpretação nos meios adventistas
através do seu livro Como Jesus Tratava as Pessoas (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1989), capítulo 2. Mas a abordagem de Venden é igualmente homilética, sem quaisquer tentativas de comprovação para suas idéias.
Alguém poderia buscar endosso para a referida associação nas declarações de Ellen White, acima mencionadas, onde ela fala da mulher surpreendida em adultério como uma das mais dedicadas seguidoras de Cristo e como uma das mulheres que permaneceu ao pé da cruz por ocasião da crucifixão. Mas não podemos nos esquecer que Maria Madalena não foi a única mulher com essas características (ver Luc. 23:44-56).
Seja como for, qualquer tentativa de identificação entre a mulher surpreendida em adultério com Maria Madalena não passa de mera inferência não sugerida explicitamente pelo texto bíblico ou pelos escritos de Ellen White. Portanto, essa teoria deveria ser considerada uma opinião pessoal de quem a advoga, sem o apoio dos comentaristas bíblicos.

Dr. Alberto Timm – Revista do Ancião (abril – junho de 2004)

Confiança em Meio a Angústia


“Está alguém entre vós sofrendo, faça oração” (Tg 5.13).
O que é angústia? Muitos poderiam dar uma resposta bem pessoal e subjetiva a essa pergunta. Falando de modo geral, angústia é um sentimento que acompanha o homem desde seu nascimento até a morte em todas as situações da vida; a angústia é companheira do ser humano. A angústia é uma das mais fortes opressoras da humanidade, é um sentimento da alma que pode atacar na mesma medida tanto o rei como o mendigo. Angústia é uma emoção que pode ser abafada mas não desligada. O homem natural não pode se desviar nem escapar dela. Na verdade existiram e existem pessoas de caráter forte que, com sua determinação, se posicionam obstinadamente diante da angústia, mas elas também não conseguem vencê-la totalmente. Podemos tentar ignorar a angústia, mas não escaparemos de situações dolorosas.
O que a Bíblia diz sobre a angústia? Ela diz, por exemplo, que angústia e sofrimento podem se tornar visíveis. Gênesis 42.21 nos relata um exemplo disso quando os irmãos de José chegaram ao Egito para comprar cereal e se encontraram no palácio de José, e, não sabendo o que fazer disseram uns aos outros: “Na verdade, somos culpados, no tocante a nosso irmão, pois lhe vimos a angústia da alma, quando nos rogava, e não lhe acudimos…” A angústia, assim diz a Bíblia, não só paralisa a língua, mas também faz com que ela fale. Em Jó 7.11 ouvimos Jó dizer: “Por isso não reprimirei a minha boca, falarei na angústia do meu espírito, queixar-me-ei na amargura da minha alma”. Mas angústia também faz com que até ímpios cheios de justiça própria se sintam perturbados. Bildade descreve o ímpio em Jó 18.11 dessa maneira: “Os assombros o espantarão de todos os lados, e o perseguirão a cada passo”. A Escritura também ensina que a angústia é mais forte do que a maior abastança. Zofar nos comunica isto em Jó 20.22: “Na plenitude da sua abastança, ver-se-á angustiado, toda a força da miséria virá sobre ele”. Angústia também provoca trevas. Quando Isaías teve que anunciar uma punição sobre Israel, falou acerca das conseqüências desse juízo: “Bramam contra eles naquele dia, como o bramido do mar; se alguém olhar para a terra, eis que só há trevas e angústia, e a luz se escurece em densas nuvens” (Is 5.30). E em Isaías 8.22 o profeta tem que proclamar sobre o povo apóstata: “Olharão para a terra, eis aí angústia, escuridão, e sombras de ansiedade, e serão lançados para densas trevas”.
Esses são exemplos negativos, mas também há exemplos positivos. No Salmo 119.143, Davi nos ensina que a palavra de Deus sempre é mais forte que a angústia: “Sobre mim vieram tribulação e angústia, todavia os teus mandamentos são o meu prazer”. A angústia está presente, mas a alegria na palavra de Deus é maior. Uma outra tradução diz: “Fiquei cercado por sofrimento e desespero, mas os teus mandamentos foram a minha grande alegria”. O poder de Deus também sempre é maior do que a angústia: “Se ando em meio à tribulação, tu me refazes a vida; estendes a mão contra a ira dos meus inimigos, e a tua destra me salva” (Sl 138.7). Em Isaías 9.2 temos a promessa: “O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz”. No Novo Testamento, Paulo confirma essa gloriosa verdade: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?… Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Rm 8.35;38-39).
E o que disse o Senhor Jesus sobre a angústia? É muito esclarecedor e elucidativo observar que Ele nunca afirmou que neste mundo não haveria sofrimento. Na verdade, muitas vezes, se prega que ao se tornar cristão, a pessoa não terá mais tribulações ou tentações. Mas isso não é verdade. O próprio Senhor Jesus disse claramente: “No mundo passais por aflições…” (Jo 16.33) . E então Ele acrescenta o glorioso ‘mas’: “mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Em outras palavras: o mundo é o reino de Satanás, mas Minha vitória sobre esse mundo pode ser a sua vitória também, isto é, em Mim vocês têm a possibilidade de vencer a própria angústia. Essa é a posição de Jesus em relação à angústia!
Quem foi o primeiro homem que se defrontou com a angústia? Foi Adão, logo após cair em pecado. Antes da queda, Adão não conhecia esse sentimento. Contudo, depois do pecado ter entrado em sua vida, ele foi invadido pelo terrível sentimento de temor: “E chamou o Senhor Deus ao homem, e lhe perguntou: Onde estás? Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo e me escondi” (Gn 3.9-10). De repente Adão e Eva tiveram medo de Deus, seu Criador, com o qual antes formavam uma unidade , uma harmonia perfeita! Antes de caírem em pecado, eles se alegravam quando Deus vinha ao jardim, mas agora, de repente, foram invadidos pelo medo. Que conseqüências devastadoras tem a sua desobediência até os dias de hoje!
Agora chegamos à pergunta mais importante: quem provou os mais profundos abismos da angústia em todos os tempos? Foi o homem Jesus Cristo no Jardim do Getsêmani. Ali Ele sofreu uma angústia tão grande que não fazemos a menor idéia do que possa ter sido passar pelo que Ele passou. Quando temos medo, quando não sabemos mais o que fazer, podemos olhar para Jesus e nos lembrar de que Sua tribulação ainda foi muito maior. Desse sentimento angustiante do nosso Senhor já lemos profeticamente no Salmo 22: “Não te distancies de mim, porque a tribulação está próxima, e não há quem me acuda. Muitos touros me cercam, fortes touros de Basã me rodeiam. Contra mim abrem as bocas, como faz o leão que despedaça e ruge. Derramei-me como água, e todos os meus ossos se desconjuntaram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se-me dentro de mim. Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca; assim me deitas no pó da morte” (vv. 11-16). Essas palavras do Senhor sofredor descrevem a profundeza abismal e ilimitada que Jesus Cristo sofreu no Jardim do Getsêmani: a agonia da morte. Lucas 22.44 fala disso: “E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue, caindo sobre a terra”. Ele lutou com a morte não só na cruz mas também no Getsêmani, pois ali Ele estava morrendo. Ali Ele estava em terríveis e pavorosas agonias de morte. Este fato é refletido nas palavras: “E, estando em agonia…” Ele se encontrava em agonia de morte porque Satanás estava a ponto de matá-lO. Satanás, o príncipe e dominador desse mundo, nessa ocasião, lutou pelo seu reino pois sabia muito bem que o Getsêmani era a última etapa antes do Calvário, e se Jesus alcançasse a cruz salvaria a humanidade. Por isso no Getsêmani, Satanás se lançou com todas as forças sobre o Cordeiro de Deus e tentou matá-lO. Ali Jesus estava à beira da morte; Ele lutou com a morte. Esse ataque à Sua vida e à Sua obra redentora provocou uma violenta e mortal angústia, uma verdadeira agonia de morte. Isso Ele suportou como homem e não como Deus, caso contrário Ele teria chamado legiões de anjos, e Satanás teria que retirar-se imediatamente. É uma grande mentira e uma ofensa à honra dizer que no Getsêmani Jesus teve medo da cruz. Aconteceu o contrário: Ele enfrentou a angústia de morrer no Getsêmani, de morrer antes da cruz, pelo que Seu sacrifício expiatório teria sido frustrado. Ele não teve medo da morte na cruz, pois Ele mesmo testificou de maneira bem clara: “Por isso o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai” (Jo 10.17-18). Jesus Cristo não quis morrer no Getsêmani, mas Ele estava morrendo, e isso O afligiu tanto que entrou em agonia e suou gotas de sangue. Jesus teve que experimentar as piores profundezas da angústia, o que significa que sofreu grande aflição. Isto deveria e pode nos ajudar e nos consolar em nossas angústias e tribulações.
Como podemos vencer nossas angústias? Depositando nossa confiança no Deus Todo-Poderoso. Como podemos fazer isso? Jesus já fez isso antes de nós e nos serve de exemplo. Em Hebreus 5.7 lemos algo maravilhoso a esse respeito: “Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte, e tendo sido ouvido por causa da sua piedade…”. Aqui se trata do momento no Getsêmani, quando Jesus, em Sua ilimitada angústia, confiou no Deus Todo-Poderoso e O invocou em oração. Isto não é novidade para nós. Mas talvez precisamos aprender de maneira totalmente nova a aplicar isto também em nossas vidas. Jesus nos deixou o melhor exemplo de como confiar no Deus Todo-Poderoso em nossa angústia. Em Hebreus 2.18 está escrito de maneira tão consoladora: “Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados”. Com outras palavras: tendo sofrido e vencido e triunfado no Getsêmani, Ele também pode nos ajudar em nossos medos e angústias, e nos ajuda a vencê-los. Ele quer nos ensinar a orar com perseverança justamente nesses momentos. Ele próprio não viu outra maneira para sair da Sua angústia do que por meio de petições e súplicas. Quanto mais devemos nós também trilhar esse caminho para sair de todas as nossas angústias e apertos que nos surpreendem quase que diariamente. Tiago acentua muito esse aspecto quando diz: “Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores” (Tg 5.13). Será que não seria válido começarmos a considerar e interiorizar essa verdade de maneira totalmente nova em nossas vidas? Vamos começar a confiar nEle incondicionalmente em qualquer situação? Confiar significa orar, e orar significa confiar! Os seguintes exemplos da vida de Davi devem nos mostrar o quanto ele também acreditava nessa realidade:
– “Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; na angústia me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração” (Sl 4.1).
– “Na minha angústia invoquei o Senhor, gritei por socorro ao meu Deus” (Sl 18.6).
– “Sendo assim, todo homem piedoso te fará súplicas” (Sl 32.6).
– “Desde os confins da terra clamo por ti, no abatimento do meu coração” (Sl 61.2).
– “Não escondas o teu rosto do teu servo, pois estou atribulado” (Sl 69.17).
– “Em meio à tribulação invoquei o Senhor, e o Senhor me ouviu e me deu folga” (Sl 118.5).
Não são testemunhos maravilhosos? Davi creu que só havia uma escapatória na angústia: invocar o Senhor em perfeita confiança.
O que significa invocar o Senhor na angústia, orando? Essa pergunta é respondida pelas orações de Davi. Por exemplo, várias vezes aparece a expressão ‘clamar’: “Responde-me quando clamo, na minha angústia… gritei”, “desde os confins da terra clamo por ti”, “em meio à tribulação invoquei o Senhor”. Percebemos que Davi pediu socorro ao céu. Aqui temos uma chave para sermos realmente libertos das angústias. Não se trata de simplesmente orar, mas temos de clamar e suplicar. Para compreender isso devemos também observar melhor as orações de nosso Senhor Jesus feitas ao Pai quando Ele se encontrava angustiado. Tomaremos como exemplo as Suas orações e Sua confiança no Deus Todo-Poderoso. Pois do ponto de vista bíblico, a expressão ‘invocar o Senhor‘ significa ainda muito mais. “Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte, e tendo sido ouvido por causa da sua piedade” (Hb 5.7). Quando se toma essa declaração literalmente, então chegamos irrefutavelmente à conclusão de que o Senhor, na verdade, gritou, clamou e até chorou de forma audível. Não sabemos a que distância os discípulos estavam do seu Senhor no Jardim do Getsêmani, mas eles devem ter dormido profundamente, pois aparentemente não ouviram a oração de Jesus. O que nosso Senhor padeceu ali nem conseguimos explicar nem entender a fundo, mas deve ter sido uma situação terrível. Em Lucas 22.44 está escrito: “E, estando em agonia, orava mais intensamente”. Mas se queremos saber com mais precisão o que significa o que nosso Senhor “…ofereceu com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas” a Deus, então devemos nos dar ao trabalho de estudar essas orações. Algo interessante chama a nossa atenção, ou seja: exceto no texto já citado de Hebreus 5.7, em nenhum evangelho é dito que o Senhor começou a clamar ou a gritar nessa oração. Somente Lucas indica tal situação com a expressão “…e orava mais intensamente”. Mateus descreveu o episódio da seguinte maneira: “Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai: Se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e, sim, como tu queres! Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade!… Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras” (Mt 26.39;42 e 44). E Marcos escreve: “E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora. E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e, sim, o que tu queres!… Retirando-se de novo, orou repetindo as mesmas palavras… E veio pela terceira vez…” (Mc 14.35;36;39 e 41). Aqui vemos melhor o que a oração de nosso Senhor podia significar, pois duas cousas chamam a nossa atenção:
1. Jesus Cristo não pronunciou essa oração apenas uma vez, mas três vezes.
2. Ele orou três vezes, mas não deixou de submeter-se à perfeita vontade de Seu Pai cada vez que orou. Que profundo mistério está oculto nessas orações!
Nosso Senhor, portanto, orou três vezes. Se Hebreus 5.7 diz que o Senhor “nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas” então não se trata, em primeiro lugar, da forma de Sua oração. Não se trata da questão se o Senhor clamou e gritou de maneira pungente, e, sim, que o Senhor fez esta oração três vezes! Em outras palavras: Ele orou com persistência. Jesus Cristo se encontrava na maior angústia, e esta angústia O levou a orar. Mas essa oração não foi apenas um grito curto e isolado ao Pai. Não, Ele orou três vezes de maneira muito consciente e lúcida repetindo sempre as mesmas palavras. Depois da primeira oração, a Bíblia diz claramente: “Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo…” e depois da segunda vez: “E deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez…”. ” como seria bom se compreendêssemos isso para a nossa vida pessoal de oração!
Muitas vezes nos defrontamos com todo tipo de angústias e apertos, e o que fazemos então, quando somos tentados dessa maneira? No mesmo momento enviamos um fervoroso pedido de socorro ao céu. Mas assim que nos sentimos mais ou menos bem, seguimos novamente a rotina do dia. Não é de admirar se logo em seguida a mesma angústia nos surpreenda outra vez. A oração de nosso Senhor pronunciada conscientemente três vezes nos mostra de maneira bem clara que nós, se de fato queremos vencer as angústias que se repetem, não devemos apenas orar de vez em quando ao céu. Precisamos chegar ao ponto de levar uma vida de oração perseverante, regular. Somente assim nos tornamos filhos de Deus que conseguem lidar de maneira correta com suas angústias. Somente assim venceremos as nossas tribulações. Três testemunhos claros das Escrituras nos exortam a orar dessa maneira:
– “Regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração perseverantes” (Rm 12.12).
– “Perseverai na oração, vigiando com ações de graça” (Cl 4.2).
– “Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito, e para isto vigiando com toda perseverança…” (Ef 6.18).
Se a Bíblia diz em Hebreus 5.7 que a oração de Jesus foi ouvida e que Ele encontrou livramento da Sua angústia, então isso só aconteceu depois da Sua oração insistente e perseverante.
Mas ainda havia um outro ponto importante: nosso Senhor continuamente se entregava totalmente à vontade de Seu Pai: “E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora. E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e, sim, o que tu queres” (Mc 14.35-36). Não fazemos idéia de como isso é importante. Não apenas orando três vezes as mesmas palavras, mas, com isso, sempre se submetendo à vontade de seu Pai, Jesus demonstrou uma confiança tão grande que jamais haverá confiança maior. Foi algo grandioso, em Sua angústia, Ele ter se apresentado três vezes a fim de orar as mesmas palavras. Mas por Ele – por assim dizer no tom fundamental da sua oração – sempre voltar a Se submeter a Deus foi uma prova bem especial de Sua confiança no Seu Pai celestial. Ele sabia: Eu posso orar que este cálice passe de mim, mas se meu Pai celestial o quer de outra maneira, então eu aceito e me coloco totalmente em Suas mãos. Isso é confiança total no Deus Todo-Poderoso! Devemos ter isso em mente, pois apesar de irmos a Deus em oração, clamando e levando a Ele a nossa angústia, em última análise esperamos que Ele faça o que nós queremos. Reflitamos no que estava em jogo ali no Getsêmani: ou Ele morria ali mesmo, deixando de salvar a humanidade, ou Ele morria na cruz, como estava previsto, salvando a humanidade por tomar sobre Si a maldição do pecado. E embora a Sua obra redentora estivesse em jogo, Ele não fez a sua própria vontade, mas se submeteu totalmente à vontade de Seu Pai.
Você não quer se tornar uma pessoa assim, que aprenda a lidar com as suas angústias e a vencê-las? Então confie no Deus Todo-Poderoso, começando a levar uma vida de oração regular e perseverante. Mas nunca se esqueça de submeter-se totalmente à vontade do Senhor Jesus enquanto ora. Essa entrega, seja o que for, sempre deve ser expressa em cada oração que você faz. Se você segue esse caminho, você se tornará um cristão que, na verdade, ainda sente todas as angústias e apertos desse mundo, mas apesar disso permanece totalmente tranqüilo em tudo. Estará seguro nas mãos do Senhor, aconteça o que acontecer. O que Ele faz é sempre bom! “No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33). Essas são palavras do Senhor Jesus. Você crê nelas? Então viva de acordo com esta fé, confiando – justamente quando o medo quer se apoderar de suas emoções – no Deus Todo-Poderoso e invocando-O em oração! 

Caiu a grande Babilônia!

ENCONTRO COM AS PROFECIAS
Todo o capítulo dezessete do Apocalipse é a descrição do julgamento da Babilônia espiritual. O dezoito mostra a queda total desse poder que tanto mal fez a Deus, Seu povo e Sua Palavra. Mostra a tragédia que esse poder vai enfrentar no futuro. A sua queda já está garantida por Aquele que não falha. “E clamou fortemente com grande voz, dizendo: caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios e coito de todo o espírito imundo, e coito de toda a ave imunda e aborrecível. E ouvi outra voz do céu que dizia: Sai dela povo meu, para que não sejas participantes dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas” (Apocalipse 18:2,4).
Na Bíblia, a igreja é comparada a uma mulher. Uma moça na sua pureza moral representa a igreja de Cristo com toda a pureza de seus ensinos (Jeremias 6:2; II Coríntios 11:2), mas a igreja que perdeu seus objetivos e acabou se unindo ao Estado, tornando-se mais um clube social do que uma igreja é comparada a uma prostituta (Jeremias 3:20; Ezequiel 16).
O profeta João viu a grande influência desse poder, cuja primeira manifestação foi transmitir seus ensinos a todas as partes da terra (Apocalipse 17:2). A segunda característica do poder dessa igreja são os recursos financeiros, pois ela é descrita como estando adornada com muitas jóias e pedras preciosas (17:4). Uma terceira forma de uma instituição mostrar seu poder é quando ela consegue formar seguidores. Essa igreja conseguiu que muitas outras comunidades religiosas aceitassem seus ensinos. Ela é descrita como tendo em sua mão uma taça, e dentro dessa taça estava todo tipo de imundícia. Ela deu de beber a muitas igrejas que se intitulam protestantes ou evangélicas, e conseguiu o título de “mãe das prostituições” (17:5).
Após o anjo ter feito essa descrição, o sentimento que tomou conta do profeta foi uma grande admiração. O anjo o questiona do “por quê” da admiração (17:7), e logo em seguida começa a mostrar as fases pelas quais esse poder passaria. “As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada. E são também sete reis; cinco já caíram, e um existe; outro ainda não é vindo; e, quando vier, convém que dure um pouco de tempo” (Apocalipse 17:9-10).
“Roma é conhecida como a cidade das sete colinas ou sete montes, os quais são: Aventino, Palatino, Viminal, Quirinal, Ceoli, Janículo e Esquilino. Roma foi construída sobre as sete colinas, no ano 753 a.C” (Vilmar E. González, Daniel e Apocalipse. 3ª ed. 1988, p. 282).
Lembre-se que o profeta fala que a Babilônia espiritual está assentada sobre sete montes (Ap 17:9). Ele está querendo dizer mais do que os nomes das montanhas que cercam a cidade de Roma, onde está a sede da Babilônia espiritual. Montes têm o significado de poder, reinos (Jeremias 51:24-25; Daniel 2:35, 44; Isaías 13:4).
Quando Deus revela que esse poder estaria apoiado sobre sete montes, está mostrando a grandeza e a autoridade que seriam manifestados por esse poder em todos os tempos. Já os sete reis são aceitos como sendo as sete formas de governo que Roma experimentou, que foram: os reis, Cônsules, Ditadores, Tribunos, Decenvirato, Imperadores e Papas.
Nos dias de João, o anjo disse que cinco já haviam caído (Reis, Cônsules, Ditadores, Tribunos e Decenvirato), e um existe (Imperadores), e o outro não é vindo (Papal), e que duraria pouco tempo. Essa expressão “pouco tempo” pode ser entendida que esse último poder terá um tempo determinado. Ele não reinará eternamente. Um dia terá seu fim, um dia a grande Babilônia cairá.
Após João contemplar algumas características da Babilônia espiritual, ele vê um outro anjo, como que vindo do trono de Deus. Dizia algo que aparentemente é impossível de acontecer. Na descrição do profeta, o anjo clamou com grande voz, o que indica que será algo ouvido em todas as partes do mundo, porque a sua atuação foi mundial. Seus ensinos atravessaram os mares, cruzaram continentes e alcançaram os lugares mais longínquos da terra. O seu vinho (doutrinas contrárias à Bíblia) foi a todos os povos da terra (18:3), e Babilônia foi vista em queda pelo profeta.
Essa profecia é uma repetição da que já foi estudada na terceira mensagem apresentada em Apocalipse 14. A profecia aponta que esse poder apóstata caiu. A queda da Babilônia espiritual acontece em dois momentos. O primeiro é quando o “outro anjo” (18:1), descer do céu, e iluminar a terra toda. Se a terra precisa ser iluminada, é sinal que ela está em trevas. O mundo vive na mais densa escuridão, mas há uma profecia que aponta que chegará um dia que a luz vai ser difundida de uma forma muito ampla. A luz chegará a todas as pessoas e cada um terá que escolher: ficar nas trevas ou andar na luz que está sendo apresentada.
A segunda etapa da queda será quando os ímpios entenderem que foram enganados por esse poder apóstata, e não mais lhe darão o seu apoio. É o momento que o rio Eufrates seca. O povo, inclusive, vai se voltar contra os líderes espirituais e familiares (O Grande Conflito. 18ª ed. 1975, pp. 610-611).
Babilônia – a confusão religiosa – cairá. Saia dela enquanto é tempo. (Apocalipse 18:22).
Creia no Senhor Deus para ficar seguro. Creia nos profetas dEle para prosperar.

Rede Maranatha

Existe salvação para gentios que jamais ouviram falar de Cristo?


Várias passagens bíblicas e declarações de Ellen White confirmam que entre os gentios existem pessoas sinceras que servem a Deus sem um conhecimento explícito da revelação bíblica. Por exemplo, o apóstolo Paulo, após asseverar que “para com Deus não há acepção de pessoas” (Rom. 2:11), esclarece: “Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos” (Rom. 2:14). Mesmo não dispondo da revelação escrita, essas pessoas se demonstram obedientes às impressões do Espírito Santo sobre a própria consciência individual.
Ellen White aborda o mesmo assunto nas seguintes declarações: “O divino plano de salvação é amplo bastante para abranger o mundo todo. Deus anseia por insuflar na prostrada humanidade o fôlego da vida. E Ele não permitirá [que] fique desapontada qualquer alma que seja sincera em seu anelo de algo mais elevado e mais nobre que aquilo que o mundo possa oferecer. Constantemente está Ele enviando os Seus anjos aos que, conquanto rodeados por circunstâncias as mais desencorajadoras, oram com fé para que algum poder mais alto que eles mesmos tome posse deles, dando-lhes libertação e paz.” – Profetas e Reis, págs. 377 e 378.
“Aqueles que Cristo louva no Juízo, talvez tenham conhecido pouco de teologia, mas nutriram Seus princípios. … Há, entre os gentios, almas que servem a Deus ignorantemente, a quem a luz nunca foi levada por instrumentos humanos; todavia não perecerão. Conquanto ignorantes da lei escrita de Deus, ouviram Sua voz a falar-lhes por meio da natureza, e fizeram aquilo que a lei requeria. Suas obras testificam que o Espírito Santo lhes tocou o coração, e são reconhecidos como filhos de Deus.” – O Desejado de Todas as Nações, pág. 638.
“Onde quer que haja um impulso de amor e simpatia, onde quer que o coração se comova para abençoar e amparar os outros, é revelada a operação do Santo Espírito de Deus. Nas profundezas do paganismo os homens que não tiveram conhecimento da lei escrita de Deus, que nunca ouviram o nome de Cristo, têm sido bondosos com Seus servos, protegendo-os com o risco da própria vida. Seus atos mostram a operação de um poder divino. O Espírito Santo implantou a graça de Cristo no coração do selvagem, despertando nele a simpatia contrária à sua natureza e à sua educação. A ‘luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo’ (João 1:9), está-lhe brilhando na alma; e esta luz, se atendida, lhe guiará os pés para o reino de Deus.” – Parábolas de Jesus, pág.385.
Algumas pessoas poderiam ser tentadas a imaginar que, se “o divino plano de salvação é amplo bastante para abranger o mundo todo” (inclusive os gentios), então não haveria mais necessidade de se pregar o evangelho, pois as pessoas sinceras seriam salvas independentemente de conhecerem ou não o plano da redenção. Mas essa suposição não é aceitável, uma vez que a ignorância da verdade é contrária aos propósitos divinos, e a proclamação do evangelho não se restringe apenas àqueles que já são sinceros.
Vários textos bíblicos enfatizam a necessidade de se conhecer e proclamar a verdade bíblica a todos os seres humanos. Por exemplo, Mateus 4:4 (cf. Deut. 8:3) assevera que “não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. Por sua vez, João 16:13 acrescenta que a obra do “Espírito da verdade” é guiar os seguidores de Cristo “a toda a verdade”, definida como a pessoa de Cristo (João 14:6) e a palavra de Deus (João 17:17). Conseqüentemente, o mesmo Espírito da verdade também capacita os genuínos cristãos a ensinarem os novos “discípulos de todas as nações” a “guardar todas as coisas” que Cristo ordenou (Mat. 28:18-20).
A promessa bíblica é que finalmente “a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Hab. 2:14; ver também Isa. 11:9; Efés. 4:11-14). Enquanto essa plenitude de conhecimento não for atingida, Deus continuará usando instrumentalidades humanas imbuídas pelo poder do Seu Espírito na missão de compartilhar o evangelho a toda criatura sobre a face da Terra. O Espírito Santo, cuja missão é convencer “o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (João 16:8), atua mesmo na consciência daqueles que não tiveram a oportunidade de ouvir as boas-novas da salvação em Cristo. Os que vivem em conformidade com a luz da verdade a que tiveram acesso, ainda que esse conhecimento seja incipiente, não serão desapontados. Eles serão súditos do reino eterno.
Texto de autoria do Dr. Alberto Timm, publicado na Revista do Ancião (julho – setembro de 2004).

Mil anos no céu

ENCONTRO COM AS PROFECIAS
Neste programa quero estudar com você o capítulo 20 do Apocalipse. Vamos entender, detalhadamente, o fim do diabo, do mal, do pecado e dos pecadores que não se arrependeram.
Apocalipse 20:1-3 – “Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo”.
O milênio é um assunto que gera algumas controvérsias entre os estudiosos da Bíblia. Particularmente, acho muito simples e fácil de ser compreendido.
Os mil anos começam com a volta de Jesus. Paulo, na primeira carta aos Tessalonicenses, 4:16, conta que “o Senhor mesmo, dado a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.”
O Novo testamento fala 318 vezes sobre a volta de Cristo. Com a vinda dEle algumas coisas começam a acontecer. Há uma grande ressurreição. Todos os justos, de todos os tempos e de todos os lugares ressuscitam (João 5:28-29; I Coríntios 15:52). Juntamente com os justos vivos são todos transformados, num momento, num piscar de olhos.
Uma grande multidão está sendo organizada e convidada para viajar ao trono de Deus ( I Tessalonicenses 4:17; Mateus 24:31). “Os anjos ‘ajuntarão os Seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus’. Criancinhas são levadas pelos santos anjos aos braços de suas mães. Amigos há muito separados pela morte, reúnem-se para nunca mais se separarem, e com cânticos de alegria sobem juntamente para a cidade de Deus. E os remidos bradam: Aleluia! Enquanto prosseguem em direção à nova Jerusalém” (O Grande Conflito. 18.ª ed. 1975, p. 643).
Onde estarão os ímpios durante os mil anos? A Bíblia diz que os ímpios, ou aqueles que não se prepararam, serão mortos pelo esplendor da vinda do Senhor (II Tessalonicenses 2:8; Apocalipse 6:15-17). Ficarão mortos pelo período de mil anos, mesmo tempo que a Terra ficaria vazia de seus moradores.  Apenas Satanás e seus anjos, como vimos no texto lido no início, permanecerão aqui. Não terão acesso a nenhum outro lugar. O diabo terá a oportunidade de vaguear pelo planeta e contemplar os resultados de sua rebelião contra a lei de Deus.
No céu, acontecem as bodas do Cordeiro. O noivo (Cristo), a noiva (Nova Jerusalém) e os convidados (os salvos). Durante mil anos os salvos terão a oportunidade de conhecer um pouquinho do grande universo de Deus. Apocalipse 20:4 diz ainda que vão reinar com Cristo e julgarão a Satanás, seus anjos e todos os ímpios (I Coríntios 6:2-3). Será a oportunidade de sanar todas as dúvidas com relação aos que foram salvos ou ficaram perdidos para sempre. O acesso aos arquivos celestiais estará liberado e todos poderão comprovar da bondade, disponibilidade e oferecimento de salvação dirigido a cada ser humano.
Depois de completados os mil anos, Jesus retorna pela terceira vez a este planeta. Agora, na companhia de todos os salvos e com a Nova Jerusalém, a gigantesca cidade celestial. Acontece a segunda ressurreição, a de todos aqueles que não foram salvos. Satanás é solto de sua prisão, ou seja, tem novamente pessoas para serem manipuladas pelo engano. O texto bíblico conta que ele sairá pelos quatro cantos da Terra (norte, sul, leste e oeste) para enganar os ímpios ressuscitados, fazendo-os crer que é possível vencer os salvos e tomar a cidade celestial (Apocalipse 20:8).
Não é possível precisar exatamente quanto tempo será necessário para toda a essa organização. Talvez algumas semanas ou meses. A Bíblia diz que será “um pouco de tempo”.
Porém, ao se aproximarem do alvo, o trono de Deus se elevará da cidade e Cristo será coroado diante da humanidade inteira: os salvos e os perdidos. Após esse momento solene, os pecadores tentarão atacar a cidade e os salvos e, segundo a profecia bíblica, descerá fogo do céu para os consumir.
A estranha obra de Deus será efetuada. Desaparecerão para sempre pecado e pecadores, raiz e ramos. O mesmo fogo que queimará tudo isso purificará o planeta e nEle Deus irá criar novos céus e nova Terra.
O grande conflito terá terminado. Pecado e pecadores não mais existirão. “O universo inteiro estará purificado. … Desde o minúsculo átomo até o maior dos mundos, todas as coisas, animadas e inanimadas, em sua serena beleza e perfeito gozo, irão declarar que Deus é amor.”  (O Grande Conflito, p. 675).
Amigo ouvinte, você está pronto para este grande e decisivo encontro? Creia no Senhor Deus para permanecer seguro. Creia nos profetas dEle para viver eternamente.

Rede Maranatha