quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Existe Um Deus ou “Três deuses?”

Não abordarei todos os aspectos do assunto numa breve introdução como essa, mas, logo de início quero afirmar que é infundada a acusação de que crer na Trindade é o mesmo que crer em “Três deuses”. Espero que a resposta a seguir lhe ajude a pelo menos começar a visualizar isso!
A Trindade é um mistério revelado, mas, não explicado. Certa vez eu estava defendendo a doutrina da Trindade e uma pessoa, que nega a Personalidade e a Divindade do Espírito Santo, escreveu-me: >“você que acredita na Trindade não entende a Deus!” Perguntei: “então, quer dizer que você entende a Deus? Meus parabéns! Você é o único ser humano no mundo que entende a Deus…” É que eu estava brincando com ele para mostrar-lhe que não deveria ter dito aquilo. Para entender um gênio, somente outro gênio. Para entender um Deus, somente outro Deus. Não podemos entender plenamente a Deus porque não somos deuses. Diz o Salmo 145:3: “Grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável”. O fato de não entendermos plenamente a Deus não significa que Ele não exista da mesma maneira que o fato de a humanidade não entender plenamente o funcionamento do cérebro não significa que o cérebro não existe. Não devemos rejeitar a doutrina da Trindade só por que não a entendemos. Se fizermos isso, estaremos colocando a lógica humana acima da lógica de Deus.
Quando colocamos a nossa lógica acima da lógica de Divina, nos colocamos na mesma posição perigosa de satanás. Precisamos aceitar a doutrina da Trindade porque é um fato revelado na Bíblia. E, se confiamos em nosso Amado Deus, iremos acreditar nEle quando afirma que é um Deus manifesto em Três Pessoas.
Alguns dizem: “não creio na Trindade porque o nome Trindade não está na Bíblia”. Primeiramente, devemos entender que na Bíblia não se buscam nomenclaturas, mas fatos. E a doutrina da Trindade é um fato.
Segundo: na Palavra de Deus não encontramos outras expressões que são aceitas como verdades: encarnação de Cristo, milênio, Bíblia… Se formos aceitar os fatos bíblicos apenas se forem acompanhados de nomes, então teremos que rejeitar a doutrina da encarnação de Cristo, do milênio, e questionar inclusive a existência da própria Bíblia!
Para estudarmos sobre Deus, aquilo que Ele nos revelou sobre si mesmo, devemos entender que a Divindade possui uma unidade essencial e uma subordinação funcional. Alguns textos bíblicos mostram que a divindade tem uma unidade na sua essência (Colossenses 2:9) enquanto outros textos apontam para uma diferença na função (João 14:28) que cada um desempenha do plano de salvação e desempenhou na criação.
Em João 5:19 e 21 vemos claramente esse princípio, bem como em outros versos do mesmo capítulo. No verso 19 Jesus diz que “o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer ao Pai”. No mesmo verso Ele continua: “porque tudo quanto ele (o Pai) faz, o Filho o faz igualmente”. No mesmo texto vemos a subordinação funcional de Cristo em relação ao Pai e Sua unidade essencial. No verso 21 podemos visualizar ainda melhor a unidade de Cristo com o Pai na divindade, o que mostra que Jesus não é uma criatura. Diz o texto: “Pois assim como o Pai ressuscita os mortos e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer”.
Percebe querido (a) nternauta? A Bíblia fala de uma subordinação nas funções entre os membros da divindade e de uma unidade na essência. A diferença na função que cada membro da Divindade desempenha de modo algum significa que um Ser é mais poderoso do que o outro. Se Jesus não fosse criador e o Espírito Santo fosse inferior a Deus Pai e a Deus Filho também na essência, isso seria politeísmo. Politeísmo é a crença em mais de um deus, onde um deus é mais poderoso do que o outro. A doutrina da Trindade não é politeísmo porque ensina a unidade essencial entre as Três Pessoas da Divindade! Essas Três Pessoas são chamadas de “um só Deus”, como fiz Efésios 4:6, porque são uma unidade.
As Pessoas da Divindade são unidas no poder, caráter, propósito e amor. São tão unidos que dizer “Três deuses” seria incoerente com o tipo de relacionamento de amor que há entre essas Três Pessoas Divinas.
Fica claro que as Três Pessoas da Trindade são chamadas de “um só Deus” (Deuteronômio 6:4 – “único Deus”) no sentido de unidade. Foi por isso que Cristo pôde dizer em João 10:30: “eu e o Pai somos um”. Os judeus entenderam essa declaração do Salvador como uma reivindicação de igualdade com o Pai, pois o verso 11 do capítulo 10 diz que “Novamente, pegaram os judeus em pedras para lhe atirar”.
Possuo debates escritos sobre o assunto que poderão lhe ajudar no estudo. Se quiser, basta solicitar para a “Escola Bíblica” no e-mail namiradaverdade@novotempo.org.br
Um abraço!
Leandro Quadros.
Jornalista – consultor bíblico

Existe ou não uma Verdade Absoluta?

Professor: assisti um documentário de TV onde o adventista William Miller é apresentado como alguém que se aproveitou financeiramente de seus seguidores. E um site na internet faz denúncias pesadas a Ellen G. White.A. R, São Paulo. Por e-mail.
Professor, como no campo religioso alcançar a verdade? Cada religião, valendo-se de seus livros sagrados, afirma que estes confirmam o que ela prega e os outros é que interpretaram mal. Já assisti a pessoas de 3 diferentes confissões cristãs usando a Bíblia e dizendo cada uma que sua leitura é que estava certa e as outras erradas.
Ora, em ciência não há esse impasse. A lei da gravidade, por exemplo, vale para ateus e crentes, cristãos e não-cristãos, crédulos e céticos, ocidentais e orientais, etc. Qualquer um desses que de se jogar de um décimo andar irá se esborrachar no chão. Ou seja: a verdade científica não precisa de nossa aceitação. Ela é universal. Mas, e a verdade religiosa? Qual o critério objetivo para a fé, se é que ele existe? Dois teólogos, por exemplo, um adventista e um católico – reivindicará cada um o acerto de suas palavras, valendo-se da Bíblia. A verdade fora do campo científico será – como diz meu professor de filosofia – mera construção humana, cada um tendo a sua?
Obrigada.
Olá, amiga,
É uma satisfação receber seu e-mail. É bom ver pessoas como você que buscam diretamente conosco informações sobre nossa história denominacional, por exemplo.
Antes de comentar sobre o alcançar verdade absoluta no campo religioso (e filosófico), permita-me escrever sobre William Miller. O documentário apresentado na TV não condiz com as informações histórias registradas em TODOS OS LIVROS QUE TRATAM DA HISTÓRIA DO ADVENTISMO. Miller era um pregador BATISTA (nunca se tornou um Adventista do Sétimo Dia, pois, rejeitava crenças nossas como: sono da alma durante a morte, guarda do Sábado, etc) que nunca fez uso de recursos alheios para pregar a mensagem dele. As viagens que fazia eram feitas a cavalo, a pé, e jamais “se aproveitou financeiramente” dos irmãos dele na fé. Recomendo a leitura do livro “História do Adventismo” de C. Merwyn Maxwell, doutor em História Eclesiástica. Sinceramente, duvido (como jornalista) que os produtores do documentário citado tenham feito isso… Uma pesquisa em que haja o CRUZAMENTO DE FONTES (entrevistando um adventista e outro historiador não adventista) – algo ESSENCIAL para o bom jornalismo.
A respeito de Ellen White, há muitos sites na internet que dizem coisas pesadas sobre ela. O maior motivo é a forma como os irmãos de outras igrejas entendem o MODELO DE INSPIRAÇÃO utilizado por Deus para comunicar as mensagens dos profetas na Bíblia. Podemos falar sobre isso em e-mails posteriores, mas, para adiantar, disponibilizei algumas refutações às acusações feitas a Ellen White no blog do programa: www.novotempo.org.br/namiradaverdade Em breve, disponibilizarei um total de 10 artigos (estou elaborando-os) onde abordarei as principais críticas feitas a ela – por ignorância ou maldade (mostrarei textos onde são feitas verdadeiras ELIPSES para colocar-se palavras na boca dela…).
Sobre a Verdade no campo religioso, realmente não é uma coisa fácil saber onde ela está sem um estudo da Bíblia profundo, pois, as mais de 40.000 religiões e seitas diferentes afirmam ter tal Verdade. Todavia, existe uma promessa na Bíblia que traz conforto para aquele que tateia em meio a tantas doutrinas e filosofias: “SE alguém QUISER FAZER A VONTADE DELE, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo.” João 7:17. Em resumo o texto diz: SE uma pessoa for sincera o bastante em QUERER fazer a vontade de DEUS, Ele não a deixará confusa! Apego-me a essa promessa todos os dias e sou muito feliz em ver a direção de Deus na minha vida.
Mas, como disse no primeiro programa, na noite de 25 de março de 2009, existe uma Verdade Absoluta com base no pressuposto que se encontra em 2 Coríntios 13:8: “Porque nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade.”
Perceba: a Bíblia nos diz que nada pode ser feito contra a verdade (apesar de alguns tentarem contra ela) e, por isso, temos a certeza de que o programa “Na Mira da Verdade” será uma ferramenta nas mãos de Deus para lhe ajudar a perceber que, apesar de nossa era pós-moderna dizer que “não existe uma verdade absoluta”, a existência de uma Verdade absoluta é bem real porque está alicerçada em duas bases:
1º: Na Bíblia, que afirma ser a Verdade Absoluta é uma Pessoa: Jesus Cristo – “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.” João 14:6.
E, em torno dessa Pessoa, giram outras verdades que fazem parte do corpo absoluto de Verdades Divinas;
2º: Na Filosofia que diz categoricamente: “duas coisas contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo”. Portanto, não há duas verdades! (Ver GEISLER, Norman. TUREK, Frank. Não tenho fé suficiente para ser ateu. Vida Acadêmica, 2004).
Tendo essas duas bases em mente, é possível afirmar – sem medo de cometer erros – que (1) se a Verdade absoluta é uma Pessoa imutável (Hebreus 13:8) e que (2) duas coisas que se contradizem não podem ser verdadeiras o mesmo tempo, isso significa que existe apenas uma Verdade Absoluta e que nem todos os caminhos conduzem a Deus (isso é bíblico. Leia Jeremias 21:8 e Mateus 7:13, 14).
Portanto, quando seu professor de filosofia disser que “A verdade fora do campo científico será mera construção humana, cada um tendo a sua”, pergunte a ele se ELE ESTÁ ABSOLUTAMENTE CERTO. Sim, pois, se ele estiver ABSOLUTAMENTE CERTO EM RELAÇÃO AO QUE ELE DISSE, então existe uma Verdade Absoluta!
Caso ela diga que a verdade é “relativa”, questione-o com calma: “isso que o Sr. está dizendo TAMBÉM É RELATIVO?” Percebeu? A própria filosofia – quando levada a sério – derruba o argumento de que não existe absolutismo e de que existe o relativismo!
Indique para o seu professor a leitura do livro “Não tenho fé suficiente para ser ateu”, do Dr. Norman Geisler – editora Vida Acadêmica (ex-ateu, doutor em filosofia e em teologia). Também poderá pedir para ele analisar o livro “Um Ateus Garante: Deus Existe” – Ediouro. Com base nas próprias análises filosóficas, Antony Flew, considerado o melhor filósofo nos últimos 100 anos (é vivo, com cerca de 80 anos de idade) passou a acreditar em Deus e a refutar os argumentos como os apresentados por seu professor depois de ele mesmo (Flew) ter combatido a teologia durante 50 anos!
Quando a amiga afirmou que “em ciência não há esse impasse”, isso está certo em parte. Realmente, a Lei da Gravidade funciona para todos. Mas, e a questão da origem da vida, por exemplo? Para alguns cientistas somos frutos do acaso (macroevolução); para outros, de um projeto (teoria do Designer Inteligente, do ex-evolucionista Michel Behe) e, para outros, de uma Criação. Como disse o grande biólogo Edwin Conklin: “a probabilidade de a vida originar-se por acaso é comparável à probabilidade de um dicionário completo surgir como resultado da explosão de uma tipografia”.
A própria ciência é cíclica e, verdades que hoje são verdades, amanhã se tornam ultrapassadas. Graças a Deus por não ser assim no campo religioso no que diz respeito às DOUTRINAS FUNDAMENTAIS (como a Salvação por meio de Jesus Cristo – João 3:16), pois, do contrário, ninguém saberia como ser salvo.
Todavia, há assuntos até mesmo na teologia que vêm a ser conhecidos de maneira mais plena – assim como na ciência (detalhe: teologia também é ciência) após investigação, com o passar do tempo.
O conhecimento humano em qualquer área precisará se desenvolver, até mesmo no campo religioso. Mas, Verdades Absolutas ensinadas na Bíblia são inegociáveis porque vêm de um Deus Verdadeiramente Absoluto: Jesus Cristo (João 14:6).
Analise com carinho o que escrevi e continuaremos em nosso diálogo saudável.
Conheça sobre Cristo e as Verdades conceituais que giram em torno dEle (que nos ajudam a compreender o Seu caráter sublime) serão conhecidas por você mesma que existam tantas religiões.
Um abraço e tenha uma ótima semana,
Leandro Quadros
Jornalista

O Espírito Santo iniciou Suas atividades no mundo apenas a partir do Pentecostes? (At 2)


Um dos textos mais importantes para a compreensão da obra do Espírito Santo antes e após o Pentecostes é João 14:16 e 17. Nesse texto Cristo promete aos Seus discípulos uma futura dotação especial do Espírito Santo: “E Ele vos dará outro Consolador”, explicando que essa dotação seria concedida pelo mesmo Espírito que já habitava neles: “Vós O conheceis, porque Ele habita convosco”. Por conseguinte, não podemos restringir as atividades do Espírito Santo ao período posterior ao Pentecostes.
Um número significativo de alusões à atuação do Espírito Santo pode ser encontrado no Antigo Testamento. Já em Gênesis 1:2 Ele é descrito como pairando “sobre as águas”. Sansão foi possuído várias vezes, de forma sobrenatural, pelo Espírito Santo (Jz 13:25; 14:6 e 19; 15:14). Davi enfatiza a onipresença do Espírito Santo ao indagar: “Para onde me ausentarei do Teu Espírito?” (Sl 139:7-12). O Novo Testamento, por sua vez, refere-se a Zacarias (Lc 1:67), João Batista (Lc 1:15) e Cristo (Lc 4:1) como homens cheios do Espírito Santo antes do Pentecostes.
Embora o Espírito Santo viesse atuando incessantemente pela salvação dos pecadores desde o início da história humana, no Pentecostes os discípulos receberam uma capacitação especial do poder do Espírito Santo para testemunhar as boas-novas da salvação em Cristo “até os confins da terra” (ver At 1:8). Em outras palavras, naquela ocasião, os seguidores de Cristo, que já manifestavam o fruto do Espírito derivado de uma experiência de salvação (ver Gl 5:22 e 23), receberam um dom especial do Espírito, que os capacitaria a proclamar o evangelho nas próprias línguas das diferentes “nações” representadas no dia do Pentecostes (ver At 2:1-13). Portanto, a obra
do Espírito Santo é bem mais abrangente em seu escopo do que a mera concessão do dom de línguas no dia do Pentecostes.
Texto de autoria do Dr. Alberto Timm, publicado na revista Sinais dos Tempos, janeiro de 1999, p. 29.

É o Espírito Santo um mero poder despersonalizado ou uma pessoa real?


Algumas pessoas têm grande dificuldade para entender o que a Bíblia diz a respeito da natureza do Espírito Santo. Isso se deve, em grande parte, ao fato de enfatizarem determinadas características deste Ser divino em detrimento de outras, e de não conseguirem conciliar os atributos da personalidade e da onipresença em um só Ser. Para elas, se o Espírito Santo é uma Pessoa, então Ele não pode estar em toda parte ao mesmo tempo; e, por outro lado, se Ele é onipresente, então não pode ser uma Pessoa. Baseados nessa pressuposição, chegam mesmo a crer que Deus Pai e Deus Filho, sendo Seres pessoais, só conseguem ser onipresentes através do Espírito Santo, que, por sua vez, não pode ser mais do que um mero poder despersonalizado.
Se o critério para se estabelecer a verdade é apenas a lógica humana, então o argumento acima até poderia ser considerado correto. Mas se analisarmos detidamente o que a Palavra de Deus nos diz a respeito do Espírito Santo, perceberemos que Ele é um Ser tanto onipresente como pessoal. Isso significa que a natureza do Espírito Santo é um mistério a respeito do qual a lógica humana deve se curvar diante da revelação divina.
Na Bíblia encontramos vários textos que confirmam a onipresença do Espírito Santo (ver Sl 139:7-12; Jo 14:16 e 17; 1 Co 3:16; 6:19). Além disso, existem pelo menos quatro importantes evidências bíblicas de que o Espírito Santo é também um Ser pessoal distinto do Pai e do Filho. Uma delas são as alusões à Divindade como composta de três Personalidades distintas. Por exemplo, no batismo de Jesus a voz do Pai foi ouvida do Céu, e o Espírito Santo desceu na forma de uma pomba (Lc 3:21-22). Tanto na fórmula batismal (Mt 28:19) quanto na bênção apostólica (2 Co 3:13) as três Pessoas são mencionadas de forma distinta.
Outra evidência da personalidade do Espírito Santo é o fato de Cristo referir-Se a Ele em João 14:16 como “outro Consolador” (grego állon parácleton) que seria enviado pelo Pai em nome de Cristo (Jo 14:26). Se o Espírito Santo fosse o próprio Pai, como alegam alguns, como poderia o Pai enviar-Se a Si mesmo? Referindo-Se ao Espírito Santo como “Consolador”, Cristo usa o mesmo termo grego parácleton que é traduzido em 1 João 2:1 como “Advogado”. Assim como este “Advogado” (Cristo) está “junto ao Pai”, sem ser o próprio Pai, também aquele “Consolador” (o Espírito Santo) é qualificado como “outro Consolador”, enviado pelo Pai sem ser o próprio Pai.
Uma terceira evidência de que o Espírito Santo é um Ser divino encontra-se nos vários textos que O associam a várias características de uma personalidade distinta dentro da Divindade. Por exemplo, Ele “a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus” (1 Co 2:10); Ele derrama o amor de Deus em nosso coração (Rm 5:5); Ele distribui os dons espirituais a cada um “como Lhe apraz” (1 Co 12:11); e Ele pode ser entristecido (Ef 4:30).
Além disso, a Bíblia declara também que o Espírito Santo “intercede por nós” diante do Pai “com gemidos inexprimíveis” (Rm 8:26). Como poderia o Espírito Santo interceder diante do Pai se Ele mesmo fosse o Pai? A fim de perscrutar “as profundezas de Deus”, o Espírito Santo precisa ser plenamente Deus; e para interceder com o Pai, o Espírito Santo precisa ter uma Personalidade distinta do Pai.
Cremos, portanto, no testemunho bíblico de que o Espírito Santo é um Ser plenamente divino, onipresente e pessoal.
Texto de autoria do Dr. Alberto Timm, publicado na Revista Sinais dos Tempos, março/abril de 2003, p. 30.

O “cair no espírito” do demônio


Introdução
A irmã batista Eliane Faria, telespectadora do programa “Na Mira da Verdade”, enviou-me um questionamento que creio ser a dúvida de muitos internautas. Ela pediu auxílio para compreender 1 Samuel 19:20-24, texto que apresenta Saul em transe profético e que supostamente apoia o “cair no Espírito” nos cultos públicos. Leiamos os versículos na Nova Versão Internacional:
“Então Saul enviou alguns homens para capturá-lo. Todavia, quando viram um grupo de profetas profetizando, dirigidos por Samuel, o Espírito de Deus apoderou-se dos mensageiros de Saul, e eles também entraram em transe. Contaram isso a Saul, e ele enviou mais mensageiros, e estes também entraram em transe. Depois mandou um terceiro grupo e eles também entraram em transe. Finalmente, ele mesmo foi para Ramá. Chegando à grande cisterna do lugar chamado Seco, perguntou onde estavam Samuel e Davi. E lhe responderam: “Em Naiote de Ramá” Então Saul foi para lá. Entretanto, o Espírito de Deus apoderou-se dele, e ele foi andando pelo caminho em transe, até chegar a Naiote. Despindo-se de suas roupas, também profetizou na presença de Samuel, e, despido, ficou deitado todo aquele dia e toda aquela noite. Por isso, o povo diz: “Está Saul também entre os profetas?” (1Sm 19:20-24)
Alguns irmãos tentam justificar o “cair no Espírito” com essa experiência de Saul. Todavia, o contexto do evento e outros textos bíblicos paralelos nos provam que o “cair no Espírito” não é um fenômeno de origem divina e, portanto, deve ser abandonado, antes que a vida espiritual do cristão seja ainda mais comprometida.
A seguir, veja algumas das razões para duvidarmos que 1 Samuel 19:20-24 esteja dando apoio ao “cair” sobre a influência do Espírito Santo.

Provas de que o Espírito Santo não joga as pessoas no chão
1º: O contexto nos mostra que Saul não estava participando de nenhum culto de adoração, mas, sendo impressionado por Deus para mudar de vida.
Saul queria matar Davi por causa da inveja e por receio de perder o seu “cargo” de rei (1Sm 19:1-17). O então rei de Israel estava indo longe demais e, através da capacidade de profetizar (dada também aos mensageiros que ele enviou – 1Sm 19:20, 21), “recebeu uma evidência clara de que Deus estava protegendo Davi”. É bem provável que “[...] ali o Espírito Santo tenha insistido com Saul pessoalmente pela última vez” (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, vol. 2. Tatuí, São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2012, p. 589. Ver 1Sm 19:24).
O referido comentário também explica que “é possível que tenha saído de seus lábios [de Saul, enquanto profetizava sob a influência do Espírito] não só uma confissão da justiça da causa de Davi, mas também a condenação de seus atos [...]”.
2º: Ao Espírito Santo apoderar-se de Saul, ele prosseguiu caminhando até chegar a Ramá (cidade localizada na região montanhosa de Efraim, a cerca de 8km de Jerusalém), onde estavam os demais mensageiros que também profetizavam (1Sm 19:23). Essa capacidade de caminhar e chegar a um local específico nos mostra que, apesar de Saul estar em “transe”, detinha capacidade autônoma, de modo que a presença do Espírito não tirou a individualidade do rei.
3º: O verso 24 do capítulo 19 diz apenas que ele “ficou deitado todo aquele dia e toda aquela noite” e não dá a entender que, para isso, ele tenha “sido jogado no chão” ou tido atitudes excêntricas, do mesmo modo que vários irmãos que alegam estar sobre a influência do Espírito sobre tais circunstâncias.
4º: O Novo Testamento, que mostra a atuação do Espírito de maneira ainda mais clara, nos ensina que a Terceira Pessoa da Trindade não gosta das manifestações pentecostais pós-modernas que envolvem (muitas delas) gritos, barulho, desordem e ações excêntricas. Veja:
a) Efésios 4:30, 31 afirma que o Espírito é entristecido com a gritaria;
b) 1 Coríntios 14:33 ensina que “Deus não é Deus de desordem, mas de paz. Como em todas as congregações dos santos”, ou seja: até mesmo nas igrejas pentecostais Ele quer ser um Deus de ordem e de paz.
c) 1 Coríntios 14:40 mostra que o culto que agrada ao Senhor “deve ser feito com decência e ordem”.
d) Gálatas 5:22, 23 deixa claro que, no momento em que uma pessoa é tomada pelo Espírito, ela revela em sua vida nove qualidades de caráter, entre elas: paz (v. 22), mansidão e domínio próprio (v. 23).
Essas características do caráter do Espírito Santo nos impedem de aceitar que as manifestações em muitos (não todos!) meios pentecostais sejam realmente de origem divina. Se em um culto, mesmo que o nome de Deus seja pronunciado (Conferir Mateus 7:21-23), as pessoas manifestam atitudes e comportamentos diferentes daqueles que o Espírito divino possui, conforme vimos nos textos acima, isso é suficiente para provar-nos que “outro espírito” é quem está por trás de tais fenômenos.
5º: Marcos 9:17 e 18 diz que o espírito que faz as pessoas caírem é o espírito do demônio. Veja que texto forte e, ao mesmo tempo, esclarecedor:
“Um homem, no meio da multidão, respondeu: ‘Mestre, eu te trouxe o meu filho, que está com um espírito que o impede de falar. Onde quer que o apanhe, joga-o no chão. Ele espuma pela boca, range os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que expulsassem o espírito, mas eles não conseguiram’’
"Mas o fruto do Espírito é... mansidão e domínio próprio" (Gl 5:22, 23)
O Espírito Santo sempre quer erguer o crente e nunca jogá-lo no chão. Veja que, ao Cristo expulsar o demônio do menino (leia Marcos 9:14-29), o Salvador “tomou-o pela mão e o levantou, e ele ficou em pé”(v. 27).
Portanto, não há dúvidas: o “cair no Espírito”, mesmo fazendo parte da vida de muitos cristãos sinceros e verdadeiros filhos de Deus, é uma manifestação demoníaca, com o objetivo de confundir as pessoas e apresentá-las uma imagem distorcida do divino e manso Espírito Santo.

O inimigo conhece o grande potencial dos irmãos pentecostais
O inimigo de Deus sabe que muitos amigos pentecostais são candidatos à vida eterna e salvos em Cristo. Tem ciência do quanto o Espírito Santo os usa para relembrar aos demais cristãos sobre a importância dos dons espirituais para a edificação da igreja e conclusão da obra de evangelização mundial.
Por isso, através de manifestações sobrenaturais que dão uma sensação aparentemente agradável aos que são possuídos por tal espírito, o Diabo quer impedi-los de terem uma experiência verdadeira com o Espírito. O inimigo, através de tal contrafação do Espírito, quer impedir que os irmãos aprendam a apreciar um culto tranquilo, racional (Rm 12:1, 2) e que tenha a emoção na medida certa (Fp 4:4), do jeito certo (1Co 14:33, 40).
Muito cuidado, irmãos. Uma das principais obras satânicas nesses últimos dias é contrafazer a obra do Espírito Santo. Ele sabe que o Espírito é o “outro consolador” divino (Jo 14:16), que glorifica a Jesus Cristo e o plano de salvação (Jo 16:14), nos convence “do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16:8), guia-nos a “toda a verdade” (Jo 16:13) e santifica a nossa vida (Rm 6:23). O Diabo sabe que nesse processo de santificação o Espírito nos torna parecidos com Jesus através do novo nascimento (Jo 3:1-8) e “escreve” os princípios morais da Lei de Deus em nosso coração (Hb 8:10).
Por isso, não é do interesse do demônio que as pessoas tenham um conhecimento pleno (e correto) da Pessoa e da Obra do Espírito Santo. Afinal, através de um falso espírito santo, ele pode desencaminhar muitos e levá-los a seguir pelo caminho largo, que leva à perdição (Mt 7:13, 14).
O inimigo não vai atrás de quem já é dele. Por isso, meu irmão pentecostal, se você “cai no espírito”, peça a Deus discernimento e coloque a Revelação bíblica acima dos seus sentimentos. Leia esse artigo com oração e mente disposta (Jr 15:16) a conhecer cada vez mais esse Deus que tanto lhe ama (Jr 31:3). Submeta-se a Ele (Tg 4:7) e preste-Lhe um culto alegre (Fp 4:4) e racional ao mesmo tempo (Rm 12:1, 2), para que sua mente receba todas as verdades que o Espírito Santo quer lhe comunicar para sua felicidade presente e eterna:
“Quer você se volte para a direita quer para a esquerda, uma voz atrás de você lhe dirá: ‘Este é o caminho; siga-o’” (Is 30:21).
Um abraço do amigo e irmão em Cristo,

Leandro Quadros
[www.leandroquadros.com.br]

Jesus e o Espírito Santo: São Eles uma única Pessoa, atuando de formas diferentes?


Em nossa época de pluralidade de crenças e completa liberdade de expressão, têm se tornado cada vez mais comuns os ataques às doutrinas cristãs, conforme explicitadas nas Escrituras e tradicionalmente compreendidas pelos teólogos e fiéis. Essa situação adquire contornos de crise uma vez que a postura pós-moderna parece exigir certa passividade diante das diferenças, ao mesmo tempo em que o bombardeio dos meios de comunicação contra as Escrituras se torna mais e mais inclemente. Se levantamos a voz para denunciar os equívocos de tais posturas excessivamente permissivas, somos chamados de intolerantes. Por outro lado, se nos calamos, somos rotulados como pessoas incultas, destituídas de argumentação e credibilidade, indignas de atenção, escravas da fé cega.
Diante dessa situação até certo ponto melindrosa, nos propomos a desenvolver uma reflexão sobre a possibilidade de que Jesus e o Espírito Santo sejam uma única Pessoa. Esse argumento tem sido recentemente proposto por movimentos dissidentes que tentam negar a pessoalidade e a personalidade do Espírito Santo, bem como minar a crença na doutrina das três Pessoas que compõem a Divindade. Ao defender essa posição, seus propositores procuram mostrar que, quando se referem ao “outro Consolador”, à intercessão em favor dos crentes e à distribuição de dons à igreja, as Escrituras estão, de fato, descrevendo a obra de Jesus, codificada sob a forma de enigmáticas referências ao Espírito Santo.
“Outro Consolador”
Jesus Cristo disse: “Eu pedirei ao Pai, e Ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-Lo, porque não O vê nem O conhece. Mas vocês O conhecem, pois Ele vive com vocês e estará em vocês. Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês. Dentro de pouco tempo o mundo não Me verá mais; vocês, porém, Me verão. Porque Eu vivo, vocês também viverão” (Jo 14:16-19, NVI).
Infelizmente, uma compreensão inadequada dessa passagem tem levado alguns a concluir que a promessa nela contida, de que Jesus não deixaria órfãos os discípulos, e de que Ele voltaria para eles, aponta para a vinda de Jesus à Terra para realizar a obra do Espírito Santo.
A maioria dos teólogos crê que Jesus aqui Se referiu à Sua vinda por ocasião da ressurreição. Obviamente, a vinda do Conselheiro é condicionada pela morte e ressurreição de Jesus. Devemos nos lembrar de que, nesse contexto, a promessa de Jesus foi motivada por uma declaração de Tomé: “Senhor, não sabemos para onde vais” (Jo 14:5). Diante disso, o Mestre explicou que rogaria ao Pai por outro Consolador e que este ficaria para sempre com os discípulos. Até aqui, a afirmativa de Jesus respondia somente em parte à inquietação dos discípulos, seu temor de ser abandonados. Contudo, Tomé havia feito referência específica à curiosidade dos discípulos quanto ao que aconteceria com o Mestre e, por essa razão, Jesus acrescentou que voltaria para eles, mas o mundo não mais O veria. De fato, imediatamente após a ressurreição, Jesus não mais Se manifestou para as pessoas do mundo (a não ser para aqueles que, por Sua autorrevelação, vêm a se converter).
Para defender o ponto de vista de que Jesus estava falando de Si mesmo, ao Se referir a outro Consolador, os que pensam assim primeiramente argumentam que nem o mundo nem os discípulos conheciam o Espírito Santo e que, já que os discípulos conheciam Jesus muito bem, o Espírito e Jesus tinham que ser a mesma pessoa. Segundo esse modo de pensar, a declaração de Jesus, de que os discípulos não O veriam ainda, seria cumprida por ocasião de Sua vinda como o “outro Consolador”. Essa posição não considera, porém, que o Espírito Santo já havia sido derramado sobre os discípulos, segundo a promessa de João Batista (Mc 1:8; 6:13), ainda que não de forma plena (Lc 24:49; Jo 20:21, 22; At 1:5). Ninguém vai a Cristo senão pela atuação do Espírito Santo. A própria condição de discípulos lhes garantia um conhecimento (ainda que parcial) do Espírito Santo.
O segundo argumento empregado para provar uma suposta identificação de Jesus como o “outro Consolador” é o da comparação das expressões “outro Consolador” e “outro discípulo”: “Pedro e o outro discípulo saíram e foram para o sepulcro. Os dois corriam, mas o outro discípulo foi mais rápido que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro” (Jo 20:3, 4). Argumentam que, se João podia se chamar de “outro discípulo”, o Salvador podia Se referir a Si mesmo como “outro Consolador”. É verdade que, ocasionalmente, Jesus Se referia a Si mesmo na terceira pessoa (Mt 12:40; 17:9; Lc 24:15, 16, 26, 27). No entanto, nunca o fez por meio da palavra “outro”. De fato, todas as vezes em que Ele empregou essa palavra, estava falando de outra pessoa. Por exemplo: “Eu vim em nome de Meu Pai, e vocês não Me aceitaram; mas, se outro vier em seu próprio nome, vocês o aceitarão” (Jo 5:43). Ele também usou essa palavra referindo-Se a João Batista (Jo 5:32).
João podia se referir a si mesmo como “o outro discípulo” porque havia mais discípulos; mas, se Jesus é o Consolador único, como querem os dissidentes, seria ilógico que Ele Se referisse a Si mesmo como sendo outro Consolador. Aliás, para que tenha sentido o argumento de que Jesus poderia usar a palavra “outro” em relação a Si mesmo porque João a usava, seria necessário que, no texto empregado para defender essa ideia (Jo 20:3, 4), João e Pedro fossem uma única pessoa. Ao contrário disso, ele afirmou que eram duas pessoas diferentes. Semelhantemente, quando Jesus chamou o Espírito Santo de “outro Consolador”, estava afirmando que Ele e o Espírito Santo são duas pessoas diferentes.
Ellen G. White esclarece a exposição de Jesus: “Limitado pela humanidade, Cristo não poderia estar em toda parte em Pessoa. Era, portanto, do interesse deles [os discípulos] que Ele fosse para o Pai e enviasse o Espírito como Seu sucessor na Terra.” 1 Evidentemente, não podemos conceber que ela estivesse falando de um sucessor de Jesus, se o Espírito Santo fosse apenas um nome diferente para o Senhor Jesus Cristo.
Espírito Santo: impessoal?
O texto de Atos 2:33 tem sido usado, em tempos recentes, como suposta prova de que o Espírito Santo não é uma Pessoa. Os argumentos correm em duas linhas principais: (1) o verso especificamente se refere ao Espírito Santo por meio do pronome demonstrativo “isto”, de valor neutro, e que (2) o verbo “derramar” deixa claro que Ele não é uma pessoa, mas uma espécie de força, coisa ou objeto. Diz o texto: “Exaltado, pois à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis.” O primeiro argumento que considera desrespeitoso o emprego da palavra “isto” (touto, em grego) em relação a uma Pessoa divina, esbarra em uma ificuldade intransponível. O uso de “isto” se deve ao fato de que a expressão “Espírito Santo” (pneuma hagion) é neutra em grego.
Diferentemente do português, idioma que conta com apenas dois gêneros, o grego (assim como o latim) possui três. No idioma português, definimos como masculinos ou femininos mesmo os objetos assexuados. Assim, “mar” é masculino e “mensagem” é feminino. Mas em grego, é comum o emprego do gênero neutro quando não queremos fazer referência explícita ao sexo. Dessa forma, a palavra “bebê” (brephos) ou a expressão “filhinhos” (teknia), muito empregada pelo apóstolo João em suas epístolas, são expressões neutras, sem nenhuma referência ao sexo das pessoas envolvidas. A mesma coisa acontece em inglês, quando se refere ao Espírito Santo, a um bebê ou a uma criança como it (isso).
A tradução de Atos 2:33 para o português deixa claro que a língua grega trata a expressão “Espírito Santo” como neutra. Se os que defendem a impessoalidade do Espírito Santo pesquisassem cuidadosamente o grego, descobririam que esse não é o único caso. A mesma coisa ocorre em João 14:16, 17, embora, ali, a tradução não o deixe explícito. Em outras passagens (Jo 14:26; 16:7, 8, 13, 14), João emprega o pronome masculino ekeinos (“este” ou “ele”) para se referir ao Espírito Santo, mostrando que os gêneros masculino e neutro não são atribuídos, de forma consistente, à terceira Pessoa da Divindade. De fato, Deus não é homem nem mulher, pois “é espírito, e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade” (Jo 4:24). Em todo caso, percebe-se que tanto bíblica quanto linguisticamente, o gênero de uma palavra não determina a pessoalidade do ser que ela representa.
Em relação ao segundo argumento, acaso pode-se dizer que o verbo “derramar” nunca possa ter seres pessoais como seu objeto? Não! Por exemplo, em Portugal, um jornal esportivo noticiou o seguinte: “O jogo foi desfigurado como espetáculo, mas ainda atraente. O Liverpool derramou homens em frente… estilo italiano defendendo.”Nesse caso, percebe-se que o time inglês adotou estilo defensivo das equipes italianas, “derramando” jogadores à frente da defesa. Pode-se derramar uma pessoa? Aparentemente, sim, desde que estejamos falando em linguagem figurada. Um poema de Gustavo Bicalho mostra isso:
“Segunda-feira. Perde-se a hora. O relógio evaporou. ‘Moço, me vê um copo d’água?’ ‘Acabou.’ A avenida derrama gente. Sublimo.”
O poeta descreve como seu eu lírico despertou atrasado na segunda-feira, entrou em um estabelecimento em busca de água, não a encontrou, voltou à avenida repleta de pessoas e, finalmente, relevou as dificuldades.
Quando a Bíblia fala que o Espírito é derramado sobre toda a carne (Jl 2:28), está usando linguagem figurada, assim como quando o faz ao dizer que a cólera de Deus se derrama como fogo (Na 1:6; Ap 16:1), ou que o amor divino é derramado em nosso coração (Rm 5:5). De acordo com Ellen G. White, “nenhum princípio intangível, nenhuma essência impessoal ou simples abstração poderia satisfazer às necessidades e anelos dos seres humanos nesta vida de lutas com o pecado, tristeza e dor. Não basta crermos na lei e na força, em coisas que não têm piedade ou nunca ouvem o brado por auxílio. Precisamos saber acerca de um braço Todo-poderoso que nos manterá, e de um Amigo infinito que tem piedade de nós”.3
Espírito, mente, vida
Usando o mesmo raciocínio, perguntamos: Pode-se defender a ideia de que a expressão “Espírito Santo” seja empregada na Bíblia simplesmente com o significado de “mente” e “vida”? Não! Em todas as ocasiões em que a palavra “espírito” tem esse sentido figurado (1Rs 21:4, 5;
Dn 2:1-3; 1Co 14:14; 2Co 7:13), ela nunca vem seguida do adjetivo “santo”. Além disso, é-nos dito que “Cristo labutou por Sua vide. Príncipe do Céu, Ele era ainda o intercessor pelo homem, e tinha poder com Deus, e prevalecia em favor de Si mesmo e de Seu povo. Manhã após manhã, Ele comungava com o Pai celestial, recebendo dEle um batismo diário do Espírito Santo”.Na Terra, Jesus recebia o batismo diário do Espírito Santo. Portanto, Ele não podia ser batizado com Sua própria mente!
Pela mesma razão, não devemos entender a seguinte declaração de Paulo como significando que somente Deus entende as coisas de Deus: “Quem conhece os pensamentos do homem, a não ser o espírito do homem que nele está? Da mesma forma, ninguém conhece os pensamentos de Deus, a não ser o Espírito de Deus” (1Co 2:11). Ellen G. White explica muito bem esse texto: “O Espírito Santo tem personalidade, do contrário não poderia testificar ao nosso espírito e com nosso espírito que somos filhos de Deus. Deve ser também uma Pessoa divina, do contrário não poderia perscrutar os segredos que jazem ocultos na mente de Deus.”5
Também não devemos interpretar de modo figurado Romanos 8:26, como se o apóstolo sugerisse que é a “mente” de Cristo que realiza intercessão em favor do homens: “Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.”
Os defensores da ideia de que as referências à intercessão do Espírito Santo representam figuradamente a intercessão de Jesus o fazem motivados por uma compreensão inadequada de 1 Timóteo 2:5, que diz haver apenas “um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o
homem Cristo Jesus”. Tais pessoas passam por alto a compreensão teológica que se convencionou chamar de “a economia da Divindade”. Ou seja, embora Jesus tenha participado da criação de modo tão efetivo quanto o Pai, apenas este geralmente recebe o epíteto de Criador. Assim, embora o Pai tenha participado de modo tão efetivo quanto Jesus, é a este que geralmente designamos Redentor. As Pessoas divinas têm unidade de propósito e ação, mas cada uma delas, em certo sentido, Se destaca em relação a algum aspecto específico de atuação. Por isso, afirmar que Jesus é o único Mediador não contradiz o ensinamento bíblico de que o Espírito intercede pelo homem.
Em vez de contraditórias, as atuações de Jesus e do Espírito Santo como intercessores são, de fato, complementares. “Quando Cristo cessar Sua obra como mediador em favor do homem, então começará esse tempo de angústia. Então, estará decidido o caso de toda pessoa, e não haverá sangue expiatório para purificar do pecado. Ao deixar Jesus Sua posição como Intercessor do homem junto a Deus, faz-se o solene anúncio: ‘Quem é injusto, faça injustiça ainda… e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda.’”“Enquanto Jesus permanecer como Intercessor pelo homem no santuário celestial, a influência restritiva do Espírito Santo é sentida pelos governantes e pelo povo.”“Enquanto Jesus, nosso Intercessor, suplica por nós no Céu, o Espírito Santo atua em nós, para que queiramos e efetuemos a Sua vontade. O Céu todo se interessa pela salvação da pessoa.”8
Como se percebe, após Sua morte, Jesus passou a ser Intercessor no Céu, no santuário celestial. O Espírito Santo intercede a partir da Terra, convencendo-nos “do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16:8). De acordo com a economia da Divindade, nada impede que tanto Jesus como o Espírito Santo sejam identificados como intercessores. O Espírito intercede e Cristo também intercede. De fato, segundo Romanos 8:34, “quem os condenará? Foi Cristo Jesus que
morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós”.
Na distribuição dos dons
No capítulo 2 do livro de Atos, Lucas descreve a maneira pela qual o Espírito Santo concedeu o dom de línguas à igreja primitiva. No entanto, em Efésios 4:8, temos a declaração paulina de que foi Jesus quem distribuiu os dons espirituais à igreja: “Quando Ele subiu em triunfo às alturas, levou cativos muitos prisioneiros, e deu dons aos homens.” Provam essas declarações que Jesus e o Espírito Santo são a mesma pessoa? De modo nenhum! Outras passagens das Escrituras revelam que Jesus e o Espírito Santo participaram, conjuntamente, da distribuição de dons. Ao sugerir temas de pregação aos pastores evangelistas, Ellen G. White afirmou o seguinte: “São estes os nossos temas: Cristo crucificado pelos nossos pecados, Cristo ressuscitado dentre os mortos, Cristo nosso Intercessor perante Deus; e intimamente relacionada com estes assuntos acha-se a obra do Espírito Santo, Representante de Cristo, enviado com poder divino e com dons para os homens.”O Espírito Santo distribui os dons como representante de Cristo.
Jesus é a fonte dos dons, o Espírito Santo os entrega a nós. No entanto, a terceira Pessoa da Divindade conta com o consentimento dos demais membros da Divindade para fazê-lo segundo Seu próprio beneplácito: “Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e Ele as distribui individualmente, a cada um, como quer.”
Além disso, a seguinte afirmação de Ellen White esclarece que Jesus está com o Espírito Santo quando este realiza Sua obra: “Quando as provações obscurecem a alma, lembre-se das palavras de Cristo, lembre-se de que Ele é uma presença invisível na pessoa do Espírito Santo, e Ele será a paz e o conforto que lhe são dados, manifestando-lhe que Ele está com você, o Sol da Justiça, expulsando suas trevas.”10 – Continua.
Referências:
1 Ellen G. White, Fé Pela Qual Eu Vivo (MM, 1959), p. 56.
2 Desporto Notícias, 20/02/2008.
3 Ellen G. White, Ibid., p. 54.
4 ___________, Signs of the Times, 21/11/1895.
5 ___________, Evangelismo, p. 617.
6 ___________, Patriarcas e Profetas, p. 201.
7 ___________, Spirit of Prophecy, v. 4, p. 429.
8 ___________, Signs of the Times, 03/10/1892.
9 ___________, Evangelismo, p. 187.
Milton L. Torres – Professor na Faculdade Adventista de Teologia do Unasp, Engenheiro Coelho, SP. Publicado na Revista Ministério Mar/Abr-2012.

A vinda do consolador


E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece; vós O conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós. João 14:16, 17.
Estava Cristo prestes a partir para Seu lar nas cortes celestiais; assegurou, porém, aos discípulos que lhes enviaria o Consolador, que com eles ficaria para sempre. Na guia desse Consolador podem todos confiar implicitamente. É Ele o Espírito de verdade; esta verdade, porém, o mundo jamais pode ver nem receber.
Cristo queria que Seus discípulos compreendessem que não os deixaria órfãos. “Não vos deixarei órfãos”, declarou Ele, “voltarei para vós.” João 14:18. … Gloriosa, magnífica promessa de vida eterna! Embora devesse Ele ausentar-Se, a relação dos discípulos para com Ele devia ser a de filhos para com seus pais.
As palavras dirigidas aos discípulos vêm até nós, por meio de suas palavras. O Consolador é nosso, tanto quanto deles, em todos os tempos e todos os lugares, em todas as tristezas e nas aflições todas, quando as perspectivas se apresentam escuras e desconcertante o futuro, e nos sentimos desajudados e sós. Essas são ocasiões em que o Consolador será enviado, em atendimento à oração da fé.
Não existe consolador como Cristo, tão terno e tão verdadeiro. Ele Se compadece de nossas fraquezas. Seu Espírito fala ao coração. Podem as circunstâncias separar-nos de nossos amigos; o vasto e turbulento oceano pode rolar entre nós e eles. Embora prevaleça ainda sua sincera amizade, talvez sejam incapazes de demonstrá-la fazendo por nós aquilo que com gratidão haveríamos de receber. Mas circunstância alguma, nenhuma distância pode separar-nos do Consolador celestial. Onde quer que estejamos, aonde quer que vamos, Ele sempre ali está, concedido em lugar de Cristo, para agir por Ele. Está sempre à nossa mão direita, para nos falar palavras amáveis e calmas; para apoiar, suster, erguer e animar. A influência do Espírito Santo é a vida de Cristo no coração. Esse Espírito atua em todo aquele que recebe a Cristo, e por meio dEle. Os que experimentam em si essa habitação do Espírito revelam seus frutos: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé.
Ellen G. White, Cuidado de Deus, pág. 132.

Homossexuais deveriam deixar de ir à igreja?


“Não consigo mudar o que eu sou. Batizei-me numa igreja cristã há menos de um ano acreditando que um milagre aconteceria na minha vida. Acreditei que Deus, com Seu poder, mudaria meus sentimentos, já que não escolhi ser homossexual, porém, ainda continuo com uma pessoa do mesmo sexo há mais de 11 anos [...] Estou afastada da Igreja porque me sinto hipócrita em adorar a Deus ao mesmo tempo em que sou lésbica [...] Ao ler Hebreus 10:25, 26, fico preocupadíssima por estar pecando voluntariamente [...] Será que há chance pra mim? Estou condenada por ter desejos homossexuais? Por favor, ajude-me.”
A angústia dessa jovem pode ser a mesma de muitos(as) leitores(as) deste blog. Por isso, decidi disponibilizar a resposta que dei a ela (sem identificá-la), juntamente com um artigo elaborado por dois profissionais da área da saúde mental.
Peço a Deus que as linhas a seguir lhe ajudem a se sentir amado(a) por Deus e certo(a) da vitória final com a ajuda de Jesus Cristo (Rm 8:37).

RESPOSTA
Querida amiga…
Primeiramente quero dizer que me sinto honrado em receber o e-mail de uma filha de Deus sincera como você, que luta contra o pecado assim como todos nós, cristãos. Cada um possui seus conflitos internos e, por isso, devemos orar uns pelos outros ao invés de criticarmos aqueles que, assim como nós, sofrem e lutam pela mudança no estilo de vida.
Em segundo lugar, ao final deste texto disponibilizarei dicas importantíssimas, elaboradas pelos amigos Thais Souza (psicóloga) e Cesar Vasconcellos (médico psiquiatra), para que possa lidar com os seus impulsos.
Thais Souza trabalha na área de aconselhamento aqui na rede Novo Tempo. Além disso, oferece atendimento on-line pelo site www.thaissouza.com.br – com a autorização do Conselho Federal de Psicologia (CFP).
Já o Dr. Cesar Vasconcellos de Souza mantém um lindo ministério médico-missionário também através do site http://www.portalnatural.com.br
Voltemos a tratar do assunto de seu e-mail.
Apesar de você estar pecando segundo a Bíblia, digo-lhe que o Senhor não a abandonou. A graça de Cristo é maior que o seu pecado (Rm 5:20) e há uma diferença entre pecar voluntariamente por “rebeldia perversa” ou por “rebeldia não perversa” (diríamos assim).
Ao continuar na relação homossexual você peca por rebeldia sim, mas, não no sentido de afrontar a Deus por maldade. Você não afronta voluntariamente ao seu Criador, mesmo que Ele se entristeça com o seu tipo de relação. Ele entende sua fraqueza e sabe que, em algum momento de sua vida afetiva, passou por alguma situação que a fez buscar numa pessoa do mesmo sexo o amor, carinho e o senso de pertencer que tanta precisava.
Diante disso, o Senhor aceita-a do jeito que é?
Aceita-a para também ajudá-la a ser uma vencedora. Ele não a ama mais ou menos por ser hetero ou homossexual. O amor dEle por todos é incondicional (Rm 2:11). Porém, Ele chama a todos nós pecadores para uma mudança de vida, para que sejamos realmente felizes e preparados para ser cidadãos do Reino dEle:
“Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne.” (Ez 36:26).
Ninguém possui forças em si mesmo para lutar contra o próprio “eu”. Isso vem de fora de nós, de um Ser acima de qualquer outra criatura, que sabe percorrer por todos nossos caminhos psíquicos para mudar nosso padrão de pensamento (Rm 12:1, 2). Essa força recebemos daquele que pode atuar no “centro” de nosso DNA e nos ajudar a vivermos em harmonia com os mandamentos dEle (Jo 15:10; Ef 2:10), incluindo o de Levítico 18:22 (cf. Rm 1:26, 27), em que o Senhor pede para o ser humano não manter relações homoafetivas.
Filipenses 2:13 nos mostra Deus é a origem da força que nos impulsiona e capacita a fazermos a vontade dEle mesmo: “pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele”.
Por isso, lhe animo a não desistir. Vá à presença dEle apesar de suas tendências homossexuais. Aconselho-a ir à igreja, adorar ao seu Criador, mesmo que ainda não tenha conseguido abandonar a relação homossexual, pois, você precisa estar cada vez mais próxima de Jesus Cristo para que o Espírito Santo a ajude a não mais ser uma “pecadeira”:
“Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma.” (Jo 15:5).
Não tente sem Jesus ao seu lado. É impossível para qualquer um de nós vencer nossas tendências sem um Salvador como Ele. Do mesmo modo, é impossível não vencermos no final, se com perseverança (Lc 21:19) permanecermos na igreja e ser amigos de Jesus Cristo:
“Mas, em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8:39).
Em seu e-mail percebi que uma dúvida que permanece em sua mente é essa: “se me tornei cristã, por que não deixei de ter desejos homossexuais?”
Esse é um assunto complexo e a Palavra de Deus não nos dá maiores informações. A ciência, não tem todas as respostas para explicar a presença dos desejos homossexuais na vida de alguém durante sua existência (grande maioria), enquanto que outros vencem até mesmo os desejos (minoria).
Porém, o que a Bíblia nos revela é que Deus ama e auxilia pessoas que praticam as relações homoafetivas, para que vivam dentro dos padrões de sexualidade estabelecidos por Ele desde a criação do homem e da mulher (Gn 2:22-24). Veja o que Paulo escreveu em 1 Coríntios 6:11 à várias pessoas da igreja de Corinto que, no passado, também foram homossexuais (leia 1Co 6:9, 10):
“Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus.”
Pela fé (Hb 11:6) você precisa se apegar a essa promessa. Pela fé você deve crer que Deus a torna justa (justifica) pelos méritos de Cristo e a santifica, tornando-a parecida com Ele todos os dias (cf. Rm 8:29).
A santificação é um processo que leva a vida toda, mas, que no final, nos habilitará para a vida eterna (Rm 6:22; Hb 12:14). Por isso, se tiver que lutar contra o “eu” todos os dias, mesmo que em alguns momentos tenha algumas quedas, lute.
Não sei se Deus tirará de você, além da prática, a tendência. Ou, se fará isso apenas na volta de Cristo. Mas, de uma coisa tenho certeza: se permanecer com a tendência homossexual, Ele dará forças para lutar contra e viver sem ela. Ajudará você a gostar do sexo com um homem que seja seu marido (se essa for sua vontade), e lhe dará muitas alegrias com a maternidade.  Ele mudará sua vida para melhor, se assim o permitir.
Mas, digamos que mesmo casada, sinta atração por mulheres. Isso significa que Deus irá “condená-la”? Com certeza, não. Lembra que anteriormente usei o termo “pecadeira”? Se uma pessoa continua com as tendências homossexuais (e ela não tem culpa por isso) e não pratica o ato homossexual ela não é uma “pecadeira”, que faz do pecado um estilo de vida. Ela é uma “pecadora”, assim como um heterossexual que, apesar de ter as próprias tendências para o pecado, luta com Cristo e, mesmo diante de alguns fracassos, não faz do pecado um estilo de vida.
Posso lhe garantir que, mesmo Deus não podendo salvar “pecadeiros” contra a vontade deles, Ele salva “pecadores” que se arrependem, vão a Ele em busca de auxílio (Mt 11:28-30) e se apropriam, pela fé, (Rm 5:1) dos méritos de Cristo (Jo 3:16, 36). [Sobre a salvação de pessoas com tendências homossexuais, leia o artigo “Os homossexuais serão salvos?” clicando aqui].
O Salvador é nosso intercessor (1Tm 2:5) diante de Deus Pai para aliviar nossa consciência culpada e massacrada pelo pecado e pelo Diabo. Ele é o grande Sumo Sacerdote (Hb 8:1, 2) que está à direta do Pai (Hb 1:1-3) para garantir, com Sua presença no Céu, que recebermos o favor divino todos os dias e socorro para lutarmos contra o mal e contra nossas inclinações pessoais para o pecado.
Desse modo, vá ao seu Salvador e Sumo Sacerdote Jesus agora mesmo e, pela fé, sente-se no colo do Pai, no Seu trono (Ef 2:6). Ele lhe dará o carinho que precisou na infância e adolescência, senso de pertencer, e lhe ajudará a buscar suas curas emocionais ao longo de sua vida. Nunca duvide do amor dEle por você porque nada irá impedi-Lo de amá-la e vê-la como uma filhinha que necessita de ajuda, amor, carinho, atenção e força para lutar e vencer.
“Em todas essas situações [inclusive na luta contra as tendências homossexuais] temos a vitória completa por meio daquele que nos amou. Pois eu tenho a certeza de que nada [nem a homossexualidade] pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida; nem os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais; nem o presente, nem o futuro; nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo. Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor.” (Rm 8:37-39, Nova Tradução Na Linguagem de Hoje).
 Certa vez um homem me escreveu contando de sua luta contra os desejos homossexuais. Ele me disse que era casado, tinha duas filhas, mas que ainda sentia atrações por homens. Porém, algo na trajetória que me mostrou o quanto a graça de Deus é poderosa foi a afirmação a seguir: “[...] Ainda gosto de homens, pois, já mergulhei fundo na prática homossexual. Mas, uma coisa faço: entrego a minha sexualidade para Jesus todos os dias e decidi permanecer fiel a minha esposa e ser um ótimo pai para minhas filhas”.
Isso vem de um cristão salvo pela graça e transformado pelo poder do Espírito Santo. Não restam dúvidas de que esse homem é um herói, e que ele está salvo em Jesus Cristo. Assim como Deus o ajudou a decidir-se pelo padrão de sexualidade criador por Ele (Gn 2:22-24), ajudará você, caso também entregue a sua sexualidade a Jesus diariamente.
Orei por você.
Um abraço e, muita paz!

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Oséias 2:11 não é uma profecia sobre a abolição do sábado?

Diz Oséias 2:11:  “Farei cessar todo o seu gozo, as suas Festas de Lua Nova, os seus sábados e todas as suas solenidades”.
Deus não estava abolindo a guarda do Sábado, dia que Ele estabeleceu para que santificássemos (Êxodo 20:8-11). Certa vez o profeta Neemias repreendeu os israelitas por não guardarem o Sábado (Neemias 13:17) e por ordem de Deus restabeleceu a guarda do mesmo (Neemias 10:31; Neemias 13:15-22). Como Deus iria abolir o sábado, se Ele mesmo pediu para que o povo fosse instruído a santificar este dia?
Para entender este texto de Oséias, vamos usar outro que algumas pessoas também tem deturpado o sentido: Isaías 1:13. “Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e também as Festas da Lua Nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniqüidade associada ao ajuntamento solene”. (Isaías 1:13).
Existe uma ciência responsável pela interpretação do versículo Bíblico, chamada de “Hermenêutica”, que estabeleceu alguns princípios para a interpretação dos textos, e um deles é examinar o “Contexto Externo” e o “Contexto Interno”.
Analisar o “contexto externo” seria analisar o que o autor queria dizer, quando escreveu a quem escreveu e o porque escreveu. “Contexto interno” seria ler os versos que vem antes e depois do texto que queremos estudar.
Portanto, não devemos tirar conclusões precipitadas sem analisar o contexto do verso, pois estaríamos forçando a Bíblia a dizer o que “não disse”.
Em Isaías diz: “Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso para mim é abominação, e também as ofertas de lua nova, os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar a iniqüidade “associada” ao ajuntamento solene”.
Aqui, Deus não está dizendo que iria abolir este mandamento ou que o povo de Israel não tinha mais espírito religioso por observar o Sábado. O Senhor está dizendo apenas que não suportava mais ver eles “MISTURAREM” a guarda do Sábado (neste texto mais especificamente os dias sagrados) com a iniqüidade, assim como ele não toleraria a guarda de qualquer outro mandamento, se  estivesse associado ao pecado.
Para Deus, não basta obedecer apenas “exteriormente”, mas sim de “coração” como é ordenado no Novo Concerto. (Jeremias 31:33; Hebreus 8:10). Nossa vida deve ser repleta de boas obras demonstrando, assim, uma verdadeira conversão.
A reclamação de Deus não era jamais por eles guardarem o Sábado, pois o próprio criador lhes deu esta ordem! (Êxodo 31:13), mas sim por misturarem os mandamentos de Deus com a iniqüidade que praticavam! (examinando o contexto, você poderá ver que a iniqüidade praticada pelo povo era: idolatria, bebedices e muita maldade – Ver capítulo 2, 5, 8, etc.)     
Com o verso de Oséias é mesma coisa. Deus não estava abolindo a guarda do Sábado, mas dizendo que iria fazer cessar as festividades do povo de Israel, seus sábados cerimoniais, porque eles estavam desobedecendo a Deus. Se lermos um pouco mais abaixo do verso, veremos que povo estava queimando incenso aos baalins (verso 13); o povo estava sendo infiel, adorando outros deuses.
Ao dizer que iria “cessar o gozo e os Sábados”, Deus estava profetizando que iria permitir que o castigo viesse a eles, ou seja, iriam ser escravizados e não mais poderiam comemorar suas festas.
Deus não estava falando que o Sábado não era mais importante. Ele apenas estava falando que devido aos muitos pecados do “povo que guardava o Sábado”, esse povo não continuaria mais a existir como nação!! Deus faria cessar as festas que ocorriam nos Sábados festivos da nação, porque a nação tinha pecado muito, e seriam levados para o cativeiro.
É algo parecido com uma diretora que avisou aos alunos bagunceiros que iria cancelar os jogos de futebol, porque eles estavam fazendo muita bagunça. Claramente pode ser visto que o problema não estava no jogo de bola, em si mesmo, mas nas atitudes irresponsáveis dos alunos.
Assim também Deus avisou através do profeta Oséias que as festividades do povo Judeu teriam um fim (não para sempre, mas temporariamente) até que eles mudassem de procedimento e parassem de viver “na igreja” mas praticando todo tipo de pecado

Fonte: Evidencias Profeticas

Papiro sobre Cristo não abala fé cristã, afirma especialista

O grande consenso entre os especialistas, no entanto, é que o texto, se for autêntico, não diz respeito ao Jesus histórico
Brasília, DF ... [ASN] Nessa semana, meios de comunicação do mundo inteiro divulgaram a descoberta de um papiro, revelado pela professora americana Karen King, que supostamente menciona a existência da esposa de Jesus. A pesquisadora da Escola de Teologia de Harvard revelou a existência do papiro cristão copta do século IV que contém a frase "Jesus disse a ele, minha esposa". Durante congresso sobre estudos coptas, a especialista falou da teoria de que os antigos cristãos acreditavam que Jesus era casado. Ela enfatizou que o papiro em questão não prova que Jesus tenha sido casado, mas levanta a questão desse suposto casamento. Argumentos - O doutor Rodrigo Silva, professor no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp – campus Engenheiro Coelho), doutor em teologia, especialista em arqueologia bíblica e doutorando em arqueologia pela USP, comenta, em entrevista originalmente publicada no blog Criacionismo, do jornalista Michelson Borges, que concorda com a estudiosa de Harvard, porém “minha única nota de ceticismo fica por conta da afirmação taxativa da autora de que esse é o texto mais antigo a mencionar que Jesus teria uma esposa. As razões do receio nesse ponto são simples: primeiramente temos de acentuar que o texto encontrado data do 4º século d.C. É, portanto, conjectural a afirmação de que se trata de uma tradução de outro texto grego original mais antigo e que esse dataria do segundo século. Não há evidências adicionais para afirmar ou desmentir essa tese; é uma possibilidade, não certeza absoluta. Segundo: ainda que esse texto provenha do grupo de textos apócrifos surgido no 2º século, ele não pode ser considerado o mais antigo apenas por mencionar explicitamente a expressão “minha esposa”. Afinal, outros textos, como “o evangelho de Felipe”, ainda que de modo indireto, dão a entender que teria havido alguma relação marital entre Jesus e Maria, e não temos meios de saber qual seria mais antigo”.
O especialista explica, no entanto, que não há nada na descoberta que ameace a maneira como os cristãos enxergam Jesus Cristo. E tampouco que esse tipo de menção seja desconhecido pelos teólogos cristãos. “Na verdade, o que temos é o eco de um grupo de cristãos dissidentes (a maioria da cidade de Alexandria, no Egito) que criaram um movimento chamado gnosticismo. A maioria dos especialistas acredita que esse movimento surgiu no fim do primeiro século, início do segundo. Alguns poucos autores, no entanto, estão começando a sugerir que raízes gnósticas já poderiam ser vistas nos dias de Paulo! Seja como for, era um movimento marginal e não a voz tradicional da Igreja Cristã primitiva”.
É possível ler a argumentação completa do doutor Rodrigo Silva em http://www.criacionismo.com.br/2012/09/jesus-tinha-esposa-ou-midia-e.html [Equipe ASN, Felipe Lemos]

domingo, 29 de abril de 2012

Jovens Recebendo Poder Para Ser Vencedores

 Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá conta. Ecl. 11:9.
Entregando-nos a Deus, obtemos grandes vantagens; pois, se temos fraquezas de caráter, como sucede com todos nós, unimo-nos com Alguém que é poderoso para salvar. Nossa ignorância está unida à sabedoria infinita, nossa fragilidade ao eterno poder, e, como Jacó, cada um de nós pode tornar-se um príncipe com Deus. Ligados ao Senhor Deus de Israel, teremos poder do alto que nos habilitará a ser vencedores; e mediante a comunicação do divino amor, encontraremos acesso aos corações humanos. Com mão tremente nos apegaremos ao trono do Infinito, e diremos: “Não Te deixarei ir se me não abençoares.” Gên. 32:26.
É dada a certeza de que Ele nos abençoará e tornar-nos-á uma bênção; e isto é nossa luz, nossa alegria, nosso triunfo. Quando os jovens compreenderem o que é ter o favor e o amor de Deus no coração, começarão a perceber o valor de seus privilégios adquiridos por sangue, e consagrarão suas capacidades a Deus, procurando com todas as forças dadas pelo Senhor aumentar os talentos a serem usados no serviço do Mestre.
A única segurança para nossos jovens nesta época de pecado e crime é ter viva ligação com Deus. Devem aprender como buscar a Deus, a fim de que sejam cheios de Seu Santo Espírito e procedam como se estivessem cientes de que toda a hoste celestial os contempla com atenta solicitude, prontos a socorrê-los no perigo e em tempos de necessidade. Os jovens devem ser protegidos contra a tentação por meio de advertências e instruções. Devem aprender quais os incentivos que lhes são apresentados na Palavra de Deus. Deve ser delineado perante eles o perigo de darem um passo nos atalhos do mal. Devem ser educados a respeitar os conselhos de Deus nos Seus sagrados oráculos. Devem ser instruídos de tal maneira que tomem uma posição resoluta contra o mal e decidam abster-se de trilhar qualquer vereda em que não possam esperar que Jesus os acompanhe e que repouse sobre eles a Sua bênção. Review and Herald, 21 de novembro de 1893.

Ellen G. White, escritora norte-americana.

As riquezas de Cristo


Para que, segundo a riqueza da Sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o Seu Espírito no homem interior. Efésios 3:16.
São de suma importância os temas de redenção, e só os de mente espiritual podem discernir sua profundeza e significado. É nossa segurança, nossa alegria, demorar sobre as verdades do plano da salvação. Fé e oração são necessários para podermos contemplar as coisas profundas de Deus. Nosso espírito acha-se tão ligado a idéias estreitas que apanhamos apenas pontos de vista limitados, da experiência que é nosso privilégio possuir.
Por que será que muitos que professam ter fé em Cristo não têm força para resistir às tentações do inimigo? — É porque não são fortalecidos com poder, por Seu Espírito, no homem interior. O apóstolo ora para que, “estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus”. Efésios 3:17-19. Se tivéssemos esta experiência, saberíamos alguma coisa da cruz do Calvário. Saberíamos o que significa ser participantes dos sofrimentos de Cristo. O amor de Cristo nos constrangeria, e embora não fôssemos capazes de explicar como o amor de Cristo nos aquece o coração, manifestaríamos Seu amor em fervente devoção a Sua causa.
Paulo abre perante a igreja de Éfeso, na linguagem mais compreensiva, o maravilhoso poder e conhecimento que poderiam possuir, como filhos e filhas do Altíssimo. Tinham oportunidade de ser “fortalecidos com poder”, “arraigados e alicerçados em amor”, “e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento”. Efésios 3:16, 17, 19.
Jeová Emanuel — Aquele em quem se acham escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento — ser levados em simpatia com Ele, tê-Lo no coração, à medida que este se abre mais e mais para receber Seus atributos: conhecer Seu amor e poder, possuir as inescrutáveis riquezas de Cristo… — esta é a herança dos servos do Senhor, e “a sua justiça que vem de Mim, diz o Senhor”. Isaías 54:17.

Ellen G. White, O Cuidado de Deus, pág. 117.

O tempo da provação


O apóstolo exorta os irmãos dizendo: “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do Seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes. [...] no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes”. Efésios 6:10-13. Oh, que dia está diante de nós! Que sacudidura haverá entre os que se dizem filhos de Deus! O injusto encontrar-se-á entre o justo. Os que têm grande luz e nela não têm andado, terão trevas correspondentes à luz que desprezaram. Necessitamos atender a lição contida nas palavras de Paulo: “Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado”. 1 Coríntios 9:27. O inimigo está trabalhando diligentemente para ver quem poderá acrescentar às fileiras da apostasia; mas o Senhor logo virá, e muito breve cada caso será decidido para a eternidade. Aqueles cujas obras correspondem à luz que graciosamente lhes for dada, serão contados do lado do Senhor. — Testemunhos Para Ministros e Obreiros Evangélicos, 163.
Os dias de purificação da igreja estão chegando rapidamente. Deus terá um povo puro e fiel. No grande peneiramento prestes a acontecer, seremos melhor capacitados a medir a força de Israel. Os sinais revelam que o tempo está próximo, quando o Senhor mostrará que a ferramenta está em Sua mão e que Ele limpará completamente a eira. — Testimonies for the Church 5:80.
Vitória para quem busca o livramento — Foi-me mostrado o povo de Deus, e vi-o fortemente sacudido. Alguns, com viva fé e agonizantes brados, pleiteavam com Deus. [...]
Vi que alguns não participavam dessa obra de súplica intensa. Pareciam indiferentes e descuidosos. Não resistiam às trevas que os rodeavam, e os envolviam qual densa nuvem. Os anjos de Deus deixaram-nos, e vi-os apressar-se em auxílio dos que lutavam com todas as energias para resistir aos anjos maus, procurando ajudar-se a si mesmos invocando perseverantemente a Deus. Mas os anjos abandonaram os que não se esforçavam por ajudar-se a si mesmos, e perdi-os de vista. Enquanto os que oravam prosseguiram em seus clamores fervorosos, um raio de luz, provindo de Jesus, sobre eles incidia de quando em quando, a fim de os encorajar, e iluminar-lhes o semblante.
Perguntei qual o sentido da sacudidura que eu acabava de presenciar e foi-me mostrado que fora causada pelo positivo testemunho motivado pelo conselho da Testemunha fiel, aos laodiceanos. Esse testemunho terá o seu efeito sobre o coração do que o recebe, levando-o a exaltar a norma e declarar a positiva verdade. Alguns não suportarão esse claro testemunho. Opor-se-lhe-ão e isto causará uma sacudidura entre os filhos de Deus.
O testemunho da Testemunha fiel não foi atendido nem pela metade. O solene testemunho do qual depende o destino da igreja foi subestimado, se não rejeitado por completo. Esse testemunho tem que realizar arrependimento profundo, e todos os que de fato o receberem, obedecer-lhe-ão e serão purificados.
Disse o anjo: “Escute!” Logo ouvi uma voz que soava como muitos instrumentos de música, todos em acordes perfeitos, suaves e harmoniosos. Ultrapassava a qualquer música que eu já ouvira. Parecia plena de misericórdia, compaixão, e regozijo santo e enobrecedor. Atravessou-me todo o ser. Disse o anjo: “Olhe!” Minha atenção foi então dirigida para o grupo que eu vira, e que fora fortemente abalado. Foram-me mostrados os que eu antes vira a chorar e orar em agonia de espírito. O grupo de anjos da guarda em volta deles fora duplicado e achavam-se revestidos de uma armadura, da cabeça aos pés. Moviam-se em rigorosa ordem, firmes como um batalhão de soldados. Seu semblante exprimia o árduo conflito que haviam suportado, a difícil luta que atravessaram. Contudo sua fisionomia, assinalada por severa angústia íntima, resplandecia agora com a luz e glória do Céu. Haviam alcançado a vitória, e esta lhes trazia a mais profunda gratidão, e santo e nobre regozijo.
Diminuíra o número das pessoas que compunham esse grupo. Alguns, pela sacudidura, foram lançados fora, ficando à beira do caminho. Os descuidosos e indiferentes, que não se uniam aos que haviam prezado a vitória e salvação o bastante para a suplicar com insistência, não a alcançaram, sendo deixados atrás, em trevas. Seu número, porém foi imediatamente preenchido por outros que aceitavam a verdade e cerravam fileiras. Ainda os anjos maus se lhes aglomeravam em torno, mas sobre eles não tinham poder.
Ouvi os que se achavam revestidos da armadura proclamarem a verdade com grande poder. Isso surtiu efeito. Vi os que haviam estado presos — algumas esposas haviam estado presas aos maridos, e alguns filhos aos pais. Os sinceros que haviam sido detidos ou impedidos de ouvirem a verdade, agora dela se apoderavam ansiosamente. Desaparecera todo temor que tinham dos parentes. Para eles, unicamente a verdade era exaltada. Era-lhes mais querida e preciosa do que a vida. Tinham dela estado famintos e sedentos. Perguntei pela causa dessa grande mudança. Um anjo respondeu: “É a chuva serôdia, o ‘refrigério pela presença do Senhor’ (Atos dos Apóstolos 3:19), o alto clamor do terceiro anjo.”
Grande poder acompanhava esses escolhidos. Disse o anjo: “Olhe!” Foi-me chamada a atenção para os ímpios, ou incrédulos. Estavam todos agitados. O zelo e poder do povo de Deus os haviam despertado e enraivecido. Confusão, confusão mostrava-se por toda parte. Vi que eram tomadas medidas contra esse grupo, que possuía o poder e a luz de Deus. Trevas adensavam-se-lhes em torno, e no entanto ali se achavam, aprovados por Deus e nEle confiantes. Vi-os perplexos. A seguir, ouvi-os clamarem fervorosamente ao Senhor. Através do dia e da noite seu clamor não cessava.* Ouvi as palavras: “Tua vontade, ó Deus, seja feita! Se for para a glória do Teu nome, abre um caminho de escape para o Teu povo! Livra-nos dos ímpios que nos rodeiam! Eles nos destinaram à morte; Teu braço, porém, pode efetuar a salvação.” Essas são as palavras de que me recordo. Todos pareciam ter intuição profunda de sua indignidade e manifestavam inteira submissão à vontade de Deus. Entretanto, como Jacó, cada qual, sem uma única exceção, suplicava fervorosamente e pleiteava o livramento.
Logo depois de haverem começado seu fervoroso clamor, os anjos, compassivos, desejavam acudir em seu livramento. Mas um anjo alto e majestoso não lho permitiu. Disse ele: “A vontade de Deus não se cumpriu ainda. Eles devem beber a taça. Devem ser batizados com o batismo.”
Logo ouvi a voz de Deus, que abalou Céus e Terra. Houve grande terremoto. Edifícios ruíram por todos os lados. Ouvi então um triunfante brado de vitória, alto, harmonioso e claro. Contemplei aquele grupo que, pouco tempo antes, estivera em aflição e cativeiro. Seu cativeiro fora mudado. Jó 42:10. Uma luz resplandecente brilhava sobre eles. Como pareceram formosos então! Haviam desaparecido toda fadiga e sinais de ansiedade; saúde e beleza viam-se em todos os semblantes. Seus inimigos, os gentios que os cercavam, caíram por terra, como mortos. Não suportavam a luz que brilhava sobre os santos, libertos. Essa luz e resplendor sobre eles permaneceu até que Jesus foi visto nas nuvens do céu, e o grupo de fiéis e provados foram transformados “num momento, num abrir e fechar de olhos” (1 Coríntios 15:52), de glória em glória. Abriram-se os sepulcros e revestidos de imortalidade, surgiram os santos, bradando: “Vitória sobre a morte e a sepultura!” e em companhia dos santos vivos foram arrebatados, para encontrar seu Senhor nos ares, enquanto belos e harmoniosos brados de glória e vitória procediam de todos os lábios imortais. — Testimonies for the Church 1:179-184.
Os dois exércitos — Vi em visão dois exércitos em luta terrível. Um deles ostentava em suas bandeiras as insígnias do mundo; guiava o outro a bandeira ensangüentada do Príncipe Emanuel. Estandarte após estandarte era arrastado no chão, à medida que grupo após grupo do exército do Senhor se juntava ao inimigo, e tribo após tribo das fileiras do adversário se unia ao povo de Deus que guarda os mandamentos. Um anjo que voava pelo meio do céu pôs-me nas mãos o estandarte de Emanuel, enquanto um forte general comandava em alta voz: “Em forma! Tomai posição vós, que sois leais aos mandamentos de Deus e ao testemunho de Cristo. Saí do meio deles e apartai-vos, e não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai e vós sereis para Mim filhos e filhas. Vinde todos quantos dentre vós quiserem acudir em socorro do Senhor, em socorro do Senhor contra os valentes.” [...]
A igreja é hoje militante. Enfrentamos agora um mundo em trevas de meia-noite, quase inteiramente entregue à idolatria. Mas aproxima-se o dia em que a batalha terá sido ferida e ganha a vitória. A vontade de Deus deve ser feita na Terra como o é no Céu. Então as nações não possuirão outra lei senão a do Céu. Juntas, constituirão uma família feliz, unida, trajada das vestes de louvor e ações de graça — as vestes da justiça de Cristo. A natureza toda, em sua inexcedível beleza, oferecerá a Deus um constante tributo de louvor e adoração. O mundo será inundado da luz do Céu. Os anos transcorrerão em alegria. A luz da Lua será como a do Sol, e a deste sete vezes mais brilhante do que hoje é. Ante esse cenário as estrelas da alva cantarão juntamente, e os filhos de Deus exultarão de alegria, ao Se unirem Deus e Cristo para proclamar: “Não mais haverá pecado, também não haverá morte.”
Tal é a cena que me é apresentada. A igreja, porém, deve combater e combaterá os inimigos visíveis e invisíveis. Estão a postos forças satânicas sob forma humana. Homens se têm confederado para oporem-se aos exércitos do Senhor. Essas confederações continuarão até que Cristo deixe Seu lugar de intercessor diante do propiciatório e envergue as vestes de vingança. Agentes satânicos encontram-se em todas as cidades, ocupados em organizar os grupos que se opõem à lei de Deus. Alguns que professam ser santos e outros declaradamente incrédulos, filiam-se a esses partidos. Não é hora de o povo de Deus mostrar fraqueza. Não podemos deixar de ficar alerta um momento sequer. — Testimonies for the Church 8:41, 42.

Ellen G. White, Conselhos para a Igreja, Capítulo 62.

Jesus e o Espírito Santo: São Eles uma única Pessoa, atuando de formas diferentes?


Em nossa época de pluralidade de crenças e completa liberdade de expressão, têm se tornado cada vez mais comuns os ataques às doutrinas cristãs, conforme explicitadas nas Escrituras e tradicionalmente compreendidas pelos teólogos e fiéis. Essa situação adquire contornos de crise uma vez que a postura pós-moderna parece exigir certa passividade diante das diferenças, ao mesmo tempo em que o bombardeio dos meios de comunicação contra as Escrituras se torna mais e mais inclemente. Se levantamos a voz para denunciar os equívocos de tais posturas excessivamente permissivas, somos chamados de intolerantes. Por outro lado, se nos calamos, somos rotulados como pessoas incultas, destituídas de argumentação e credibilidade, indignas de atenção, escravas da fé cega.
Diante dessa situação até certo ponto melindrosa, nos propomos a desenvolver uma reflexão sobre a possibilidade de que Jesus e o Espírito Santo sejam uma única Pessoa. Esse argumento tem sido recentemente proposto por movimentos dissidentes que tentam negar a pessoalidade e a personalidade do Espírito Santo, bem como minar a crença na doutrina das três Pessoas que compõem a Divindade. Ao defender essa posição, seus propositores procuram mostrar que, quando se referem ao “outro Consolador”, à intercessão em favor dos crentes e à distribuição de dons à igreja, as Escrituras estão, de fato, descrevendo a obra de Jesus, codificada sob a forma de enigmáticas referências ao Espírito Santo.
“Outro Consolador”
Jesus Cristo disse: “Eu pedirei ao Pai, e Ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-Lo, porque não O vê nem O conhece. Mas vocês O conhecem, pois Ele vive com vocês e estará em vocês. Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês. Dentro de pouco tempo o mundo não Me verá mais; vocês, porém, Me verão. Porque Eu vivo, vocês também viverão” (Jo 14:16-19, NVI).
Infelizmente, uma compreensão inadequada dessa passagem tem levado alguns a concluir que a promessa nela contida, de que Jesus não deixaria órfãos os discípulos, e de que Ele voltaria para eles, aponta para a vinda de Jesus à Terra para realizar a obra do Espírito Santo.
A maioria dos teólogos crê que Jesus aqui Se referiu à Sua vinda por ocasião da ressurreição. Obviamente, a vinda do Conselheiro é condicionada pela morte e ressurreição de Jesus. Devemos nos lembrar de que, nesse contexto, a promessa de Jesus foi motivada por uma declaração de Tomé: “Senhor, não sabemos para onde vais” (Jo 14:5). Diante disso, o Mestre explicou que rogaria ao Pai por outro Consolador e que este ficaria para sempre com os discípulos. Até aqui, a afirmativa de Jesus respondia somente em parte à inquietação dos discípulos, seu temor de ser abandonados. Contudo, Tomé havia feito referência específica à curiosidade dos discípulos quanto ao que aconteceria com o Mestre e, por essa razão, Jesus acrescentou que voltaria para eles, mas o mundo não mais O veria. De fato, imediatamente após a ressurreição, Jesus não mais Se manifestou para as pessoas do mundo (a não ser para aqueles que, por Sua autorrevelação, vêm a se converter).
Para defender o ponto de vista de que Jesus estava falando de Si mesmo, ao Se referir a outro Consolador, os que pensam assim primeiramente argumentam que nem o mundo nem os discípulos conheciam o Espírito Santo e que, já que os discípulos conheciam Jesus muito bem, o Espírito e Jesus tinham que ser a mesma pessoa. Segundo esse modo de pensar, a declaração de Jesus, de que os discípulos não O veriam ainda, seria cumprida por ocasião de Sua vinda como o “outro Consolador”. Essa posição não considera, porém, que o Espírito Santo já havia sido derramado sobre os discípulos, segundo a promessa de João Batista (Mc 1:8; 6:13), ainda que não de forma plena (Lc 24:49; Jo 20:21, 22; At 1:5). Ninguém vai a Cristo senão pela atuação do Espírito Santo. A própria condição de discípulos lhes garantia um conhecimento (ainda que parcial) do Espírito Santo.
O segundo argumento empregado para provar uma suposta identificação de Jesus como o “outro Consolador” é o da comparação das expressões “outro Consolador” e “outro discípulo”: “Pedro e o outro discípulo saíram e foram para o sepulcro. Os dois corriam, mas o outro discípulo foi mais rápido que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro” (Jo 20:3, 4). Argumentam que, se João podia se chamar de “outro discípulo”, o Salvador podia Se referir a Si mesmo como “outro Consolador”. É verdade que, ocasionalmente, Jesus Se referia a Si mesmo na terceira pessoa (Mt 12:40; 17:9; Lc 24:15, 16, 26, 27). No entanto, nunca o fez por meio da palavra “outro”. De fato, todas as vezes em que Ele empregou essa palavra, estava falando de outra pessoa. Por exemplo: “Eu vim em nome de Meu Pai, e vocês não Me aceitaram; mas, se outro vier em seu próprio nome, vocês o aceitarão” (Jo 5:43). Ele também usou essa palavra referindo-Se a João Batista (Jo 5:32).
João podia se referir a si mesmo como “o outro discípulo” porque havia mais discípulos; mas, se Jesus é o Consolador único, como querem os dissidentes, seria ilógico que Ele Se referisse a Si mesmo como sendo outro Consolador. Aliás, para que tenha sentido o argumento de que Jesus poderia usar a palavra “outro” em relação a Si mesmo porque João a usava, seria necessário que, no texto empregado para defender essa ideia (Jo 20:3, 4), João e Pedro fossem uma única pessoa. Ao contrário disso, ele afirmou que eram duas pessoas diferentes. Semelhantemente, quando Jesus chamou o Espírito Santo de “outro Consolador”, estava afirmando que Ele e o Espírito Santo são duas pessoas diferentes.
Ellen G. White esclarece a exposição de Jesus: “Limitado pela humanidade, Cristo não poderia estar em toda parte em Pessoa. Era, portanto, do interesse deles [os discípulos] que Ele fosse para o Pai e enviasse o Espírito como Seu sucessor na Terra.” 1 Evidentemente, não podemos conceber que ela estivesse falando de um sucessor de Jesus, se o Espírito Santo fosse apenas um nome diferente para o Senhor Jesus Cristo.
Espírito Santo: impessoal?
O texto de Atos 2:33 tem sido usado, em tempos recentes, como suposta prova de que o Espírito Santo não é uma Pessoa. Os argumentos correm em duas linhas principais: (1) o verso especificamente se refere ao Espírito Santo por meio do pronome demonstrativo “isto”, de valor neutro, e que (2) o verbo “derramar” deixa claro que Ele não é uma pessoa, mas uma espécie de força, coisa ou objeto. Diz o texto: “Exaltado, pois à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis.” O primeiro argumento que considera desrespeitoso o emprego da palavra “isto” (touto, em grego) em relação a uma Pessoa divina, esbarra em uma ificuldade intransponível. O uso de “isto” se deve ao fato de que a expressão “Espírito Santo” (pneuma hagion) é neutra em grego.
Diferentemente do português, idioma que conta com apenas dois gêneros, o grego (assim como o latim) possui três. No idioma português, definimos como masculinos ou femininos mesmo os objetos assexuados. Assim, “mar” é masculino e “mensagem” é feminino. Mas em grego, é comum o emprego do gênero neutro quando não queremos fazer referência explícita ao sexo. Dessa forma, a palavra “bebê” (brephos) ou a expressão “filhinhos” (teknia), muito empregada pelo apóstolo João em suas epístolas, são expressões neutras, sem nenhuma referência ao sexo das pessoas envolvidas. A mesma coisa acontece em inglês, quando se refere ao Espírito Santo, a um bebê ou a uma criança como it (isso).
A tradução de Atos 2:33 para o português deixa claro que a língua grega trata a expressão “Espírito Santo” como neutra. Se os que defendem a impessoalidade do Espírito Santo pesquisassem cuidadosamente o grego, descobririam que esse não é o único caso. A mesma coisa ocorre em João 14:16, 17, embora, ali, a tradução não o deixe explícito. Em outras passagens (Jo 14:26; 16:7, 8, 13, 14), João emprega o pronome masculino ekeinos (“este” ou “ele”) para se referir ao Espírito Santo, mostrando que os gêneros masculino e neutro não são atribuídos, de forma consistente, à terceira Pessoa da Divindade. De fato, Deus não é homem nem mulher, pois “é espírito, e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade” (Jo 4:24). Em todo caso, percebe-se que tanto bíblica quanto linguisticamente, o gênero de uma palavra não determina a pessoalidade do ser que ela representa.
Em relação ao segundo argumento, acaso pode-se dizer que o verbo “derramar” nunca possa ter seres pessoais como seu objeto? Não! Por exemplo, em Portugal, um jornal esportivo noticiou o seguinte: “O jogo foi desfigurado como espetáculo, mas ainda atraente. O Liverpool derramou homens em frente… estilo italiano defendendo.”Nesse caso, percebe-se que o time inglês adotou estilo defensivo das equipes italianas, “derramando” jogadores à frente da defesa. Pode-se derramar uma pessoa? Aparentemente, sim, desde que estejamos falando em linguagem figurada. Um poema de Gustavo Bicalho mostra isso:
“Segunda-feira. Perde-se a hora. O relógio evaporou. ‘Moço, me vê um copo d’água?’ ‘Acabou.’ A avenida derrama gente. Sublimo.”
O poeta descreve como seu eu lírico despertou atrasado na segunda-feira, entrou em um estabelecimento em busca de água, não a encontrou, voltou à avenida repleta de pessoas e, finalmente, relevou as dificuldades.
Quando a Bíblia fala que o Espírito é derramado sobre toda a carne (Jl 2:28), está usando linguagem figurada, assim como quando o faz ao dizer que a cólera de Deus se derrama como fogo (Na 1:6; Ap 16:1), ou que o amor divino é derramado em nosso coração (Rm 5:5). De acordo com Ellen G. White, “nenhum princípio intangível, nenhuma essência impessoal ou simples abstração poderia satisfazer às necessidades e anelos dos seres humanos nesta vida de lutas com o pecado, tristeza e dor. Não basta crermos na lei e na força, em coisas que não têm piedade ou nunca ouvem o brado por auxílio. Precisamos saber acerca de um braço Todo-poderoso que nos manterá, e de um Amigo infinito que tem piedade de nós”.3
Espírito, mente, vida
Usando o mesmo raciocínio, perguntamos: Pode-se defender a ideia de que a expressão “Espírito Santo” seja empregada na Bíblia simplesmente com o significado de “mente” e “vida”? Não! Em todas as ocasiões em que a palavra “espírito” tem esse sentido figurado (1Rs 21:4, 5;
Dn 2:1-3; 1Co 14:14; 2Co 7:13), ela nunca vem seguida do adjetivo “santo”. Além disso, é-nos dito que “Cristo labutou por Sua vide. Príncipe do Céu, Ele era ainda o intercessor pelo homem, e tinha poder com Deus, e prevalecia em favor de Si mesmo e de Seu povo. Manhã após manhã, Ele comungava com o Pai celestial, recebendo dEle um batismo diário do Espírito Santo”.Na Terra, Jesus recebia o batismo diário do Espírito Santo. Portanto, Ele não podia ser batizado com Sua própria mente!
Pela mesma razão, não devemos entender a seguinte declaração de Paulo como significando que somente Deus entende as coisas de Deus: “Quem conhece os pensamentos do homem, a não ser o espírito do homem que nele está? Da mesma forma, ninguém conhece os pensamentos de Deus, a não ser o Espírito de Deus” (1Co 2:11). Ellen G. White explica muito bem esse texto: “O Espírito Santo tem personalidade, do contrário não poderia testificar ao nosso espírito e com nosso espírito que somos filhos de Deus. Deve ser também uma Pessoa divina, do contrário não poderia perscrutar os segredos que jazem ocultos na mente de Deus.”5
Também não devemos interpretar de modo figurado Romanos 8:26, como se o apóstolo sugerisse que é a “mente” de Cristo que realiza intercessão em favor do homens: “Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.”
Os defensores da ideia de que as referências à intercessão do Espírito Santo representam figuradamente a intercessão de Jesus o fazem motivados por uma compreensão inadequada de 1 Timóteo 2:5, que diz haver apenas “um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o
homem Cristo Jesus”. Tais pessoas passam por alto a compreensão teológica que se convencionou chamar de “a economia da Divindade”. Ou seja, embora Jesus tenha participado da criação de modo tão efetivo quanto o Pai, apenas este geralmente recebe o epíteto de Criador. Assim, embora o Pai tenha participado de modo tão efetivo quanto Jesus, é a este que geralmente designamos Redentor. As Pessoas divinas têm unidade de propósito e ação, mas cada uma delas, em certo sentido, Se destaca em relação a algum aspecto específico de atuação. Por isso, afirmar que Jesus é o único Mediador não contradiz o ensinamento bíblico de que o Espírito intercede pelo homem.
Em vez de contraditórias, as atuações de Jesus e do Espírito Santo como intercessores são, de fato, complementares. “Quando Cristo cessar Sua obra como mediador em favor do homem, então começará esse tempo de angústia. Então, estará decidido o caso de toda pessoa, e não haverá sangue expiatório para purificar do pecado. Ao deixar Jesus Sua posição como Intercessor do homem junto a Deus, faz-se o solene anúncio: ‘Quem é injusto, faça injustiça ainda… e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda.’”“Enquanto Jesus permanecer como Intercessor pelo homem no santuário celestial, a influência restritiva do Espírito Santo é sentida pelos governantes e pelo povo.”“Enquanto Jesus, nosso Intercessor, suplica por nós no Céu, o Espírito Santo atua em nós, para que queiramos e efetuemos a Sua vontade. O Céu todo se interessa pela salvação da pessoa.”8
Como se percebe, após Sua morte, Jesus passou a ser Intercessor no Céu, no santuário celestial. O Espírito Santo intercede a partir da Terra, convencendo-nos “do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16:8). De acordo com a economia da Divindade, nada impede que tanto Jesus como o Espírito Santo sejam identificados como intercessores. O Espírito intercede e Cristo também intercede. De fato, segundo Romanos 8:34, “quem os condenará? Foi Cristo Jesus que
morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós”.
Na distribuição dos dons
No capítulo 2 do livro de Atos, Lucas descreve a maneira pela qual o Espírito Santo concedeu o dom de línguas à igreja primitiva. No entanto, em Efésios 4:8, temos a declaração paulina de que foi Jesus quem distribuiu os dons espirituais à igreja: “Quando Ele subiu em triunfo às alturas, levou cativos muitos prisioneiros, e deu dons aos homens.” Provam essas declarações que Jesus e o Espírito Santo são a mesma pessoa? De modo nenhum! Outras passagens das Escrituras revelam que Jesus e o Espírito Santo participaram, conjuntamente, da distribuição de dons. Ao sugerir temas de pregação aos pastores evangelistas, Ellen G. White afirmou o seguinte: “São estes os nossos temas: Cristo crucificado pelos nossos pecados, Cristo ressuscitado dentre os mortos, Cristo nosso Intercessor perante Deus; e intimamente relacionada com estes assuntos acha-se a obra do Espírito Santo, Representante de Cristo, enviado com poder divino e com dons para os homens.”O Espírito Santo distribui os dons como representante de Cristo.
Jesus é a fonte dos dons, o Espírito Santo os entrega a nós. No entanto, a terceira Pessoa da Divindade conta com o consentimento dos demais membros da Divindade para fazê-lo segundo Seu próprio beneplácito: “Todas essas coisas, porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e Ele as distribui individualmente, a cada um, como quer.”
Além disso, a seguinte afirmação de Ellen White esclarece que Jesus está com o Espírito Santo quando este realiza Sua obra: “Quando as provações obscurecem a alma, lembre-se das palavras de Cristo, lembre-se de que Ele é uma presença invisível na pessoa do Espírito Santo, e Ele será a paz e o conforto que lhe são dados, manifestando-lhe que Ele está com você, o Sol da Justiça, expulsando suas trevas.”10 – Continua.
Referências:
1 Ellen G. White, Fé Pela Qual Eu Vivo (MM, 1959), p. 56.
2 Desporto Notícias, 20/02/2008.
3 Ellen G. White, Ibid., p. 54.
4 ___________, Signs of the Times, 21/11/1895.
5 ___________, Evangelismo, p. 617.
6 ___________, Patriarcas e Profetas, p. 201.
7 ___________, Spirit of Prophecy, v. 4, p. 429.
8 ___________, Signs of the Times, 03/10/1892.
9 ___________, Evangelismo, p. 187.

Milton L. Torres – Professor na Faculdade Adventista de Teologia do Unasp, Engenheiro Coelho, SP. Publicado na Revista Ministério Mar/Abr-2012.