Ellen White
aborda o mesmo assunto nas seguintes declarações: “O divino plano
de salvação é amplo bastante para abranger o mundo todo. Deus anseia por
insuflar na prostrada humanidade o fôlego da vida. E Ele não permitirá
[que] fique desapontada qualquer alma que seja sincera em seu anelo de
algo mais elevado e mais nobre que aquilo que o mundo possa oferecer.
Constantemente está Ele enviando os Seus anjos aos que, conquanto
rodeados por circunstâncias as mais desencorajadoras, oram com fé para
que algum poder mais alto que eles mesmos tome posse deles,
dando-lhes libertação e paz.” – Profetas e Reis, págs. 377 e 378.
“Aqueles que Cristo louva no Juízo,
talvez tenham conhecido pouco de teologia, mas nutriram Seus princípios.
… Há, entre os gentios, almas que servem a Deus ignorantemente, a quem a
luz nunca foi levada por instrumentos humanos; todavia não perecerão.
Conquanto ignorantes da lei escrita de Deus, ouviram Sua voz a
falar-lhes por meio da natureza, e fizeram aquilo que a lei requeria.
Suas obras testificam que o Espírito Santo lhes tocou o coração, e são
reconhecidos como filhos de Deus.” – O Desejado de Todas as Nações, pág.
638.
“Onde quer que haja um impulso de amor e
simpatia, onde quer que o coração se comova para abençoar e amparar os
outros, é revelada a operação do Santo Espírito de Deus. Nas profundezas
do paganismo os homens que não tiveram conhecimento da lei escrita de
Deus, que nunca ouviram o nome de Cristo, têm sido bondosos com
Seus servos, protegendo-os com o risco da própria vida. Seus atos
mostram a operação de um poder divino. O Espírito Santo implantou a
graça de Cristo no coração do selvagem, despertando nele a simpatia
contrária à sua natureza e à sua educação. A ‘luz verdadeira, que alumia
a todo homem que vem ao mundo’ (João 1:9), está-lhe brilhando na alma;
e esta luz, se atendida, lhe guiará os pés para o reino de Deus.” –
Parábolas de Jesus, pág.385.
Algumas pessoas poderiam ser tentadas a
imaginar que, se “o divino plano de salvação é amplo bastante para
abranger o mundo todo” (inclusive os gentios), então não haveria mais
necessidade de se pregar o evangelho, pois as pessoas sinceras
seriam salvas independentemente de conhecerem ou não o plano da
redenção. Mas essa suposição não é aceitável, uma vez que a ignorância
da verdade é contrária aos propósitos divinos, e a proclamação do
evangelho não se restringe apenas àqueles que já são sinceros.
Vários textos bíblicos enfatizam a
necessidade de se conhecer e proclamar a verdade bíblica a todos os
seres humanos. Por exemplo, Mateus 4:4 (cf. Deut. 8:3) assevera que “não
só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de
Deus”. Por sua vez, João 16:13 acrescenta que a obra do “Espírito da
verdade” é guiar os seguidores de Cristo “a toda a verdade”, definida
como a pessoa de Cristo (João 14:6) e a palavra de Deus (João 17:17).
Conseqüentemente, o mesmo Espírito da verdade também capacita os
genuínos cristãos a ensinarem os novos “discípulos de todas as nações” a
“guardar todas as coisas” que Cristo ordenou (Mat. 28:18-20).
A promessa bíblica é que finalmente “a
terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas
cobrem o mar” (Hab. 2:14; ver também Isa. 11:9; Efés. 4:11-14). Enquanto
essa plenitude de conhecimento não for atingida, Deus continuará
usando instrumentalidades humanas imbuídas pelo poder do Seu Espírito na
missão de compartilhar o evangelho a toda criatura sobre a face da
Terra. O Espírito Santo, cuja missão é convencer “o mundo do pecado, da
justiça e do juízo” (João 16:8), atua mesmo na consciência daqueles que
não tiveram a oportunidade de ouvir as boas-novas da salvação em Cristo.
Os que vivem em conformidade com a luz da verdade a que tiveram acesso,
ainda que esse conhecimento seja incipiente, não serão desapontados.
Eles serão súditos do reino eterno.
Texto de autoria do Dr. Alberto Timm, publicado na Revista do Ancião (julho – setembro de 2004).
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