sábado, 4 de fevereiro de 2012

REALIZAR-SE-ÃO CASAMENTOS NA NOVA TERRA?

No princípio, Adão e Eva foram criados para serem fecundos, multiplicar-se, encher a
terra, sujeitarem-na; dominar os animais, cultivar e guardar o jardim do Éden (Gn 1:28; 2:15). O
casamento, as relações sexuais e a procriação foram dons de Deus ao homem que tinham por
objetivo prover-lhe felicidade ao mesmo tempo condições para cumprir a sua missão na terra. Os
filhos e descendentes atuariam como auxiliares no cumprimento da tarefa. Contudo a entrada do
pecado alterou a meta inicial de Deus para o homem e o mundo. A vinda de Cristo a esta terra como
uma criança, posteriormente Sua morte e ressurreição asseguraram ao homem o direito a salvação
eterna. Após Sua segunda vinda, Cristo levará os justos vivos transformados e os justos
ressuscitados para estarem com Ele, inicialmente por mil anos no céu e, depois, pelos anos da
eternidade, nesta terra que será renovada.
Os salvos não casarão nem se darão em casamento porque vivenciarão uma nova qualidade
de existência. Eles fruirão eternamente a presença e o companheirismo de Deus e Seus anjos. Em
cumprimento do propósito de Deus, os redimidos ocuparão o espaço vazio deixado pelos anjos que
foram expulsos do céu juntamente com seu líder, Satanás. Por esta razão eles fruirão uma promoção
especial entre os seres criados por Deus. Viverão pelos séculos infindos da eternidade em
companhia dos anjos bons e de Deus. Que privilégio inaudito, enquanto os demais seres dos
mundos não caídos permanecem em seus ambientes naturais, os redimidos da terra estarão para
sempre junto ao trono de Deus. Esta promoção também tem um caráter funcional, pois os redimidos
cumprirão uma missão peculiar no universo. Os mundos que não se rebelaram contra Deus serão
visitados pelos salvos, para que possam ouvir o testemunho pessoal relativo à vitória sobre o pecado
mediante os méritos do sacrifício de Cristo na cruz do Calvário. Neste sentido, a missão dos
remidos será distinta da tarefa dos anjos, uma vez que eles passaram pelo sofrimento provocado
pelo pecado e saíram vencedores em Cristo, algo que os anjos leais testemunharam, mas não
vivenciaram pessoalmente. Em virtude destas condições peculiares dos redimidos, isto é, a vitória
pessoal contra o pecado pelos méritos de Cristo, seu companheirismo eterno com Deus e sua missão
testemunhal no universo é que os salvos, como os anjos, não precisam se casar e procriar. Esta foi
uma condição dos seres humanos quando estavam na terra para cumprirem a missão de povoá-la e
administrá-la. Na nova terra não terá mais sentido.
À presumida irrespondível questão proposta pelos saduceus, Jesus apresentou uma nova
revelação concernente ao estilo de vida pós-ressurreição: os redimidos desfrutarão de uma
existência imortal semelhante a dos anjos do céu que não se casam nem procriam. Além disto, eles
terão a habilidade do deslocamento rápido dos anjos, pois também disporão de asas. Este é uma
outra situação que comprova o fato de que os salvos realmente foram promovidos a uma nova
condição de vida entre as criaturas de Deus.
Aqueles que rejeitam o ensino de Cristo alusivo às condições de vida na nova terra
cometem o mesmo engano dos saduceus que desconheciam as verdades das Escrituras e o poder de
Deus. No caso dos adventistas do sétimo dia que postulam a noção de que haverá casamento,
relações sexuais e procriação na vida por vir, há um outro fator lamentável que é o
desconhecimento ou a recusa em aceitar os claros ensinos do Espírito de Profecia sobre o tema.
Mais complicador ainda é o fato de que defender tais noções contrárias às Escrituras e ao dom
profético é promover ensinos que foram forjados pela mente de Satanás, o arquiinimigo de Deus, ao
longo do conflito entre o bem e o mal.
Alguns não conseguem compreender porque na nova ordem da vida pós-ressurreição não
haverá casamento, relações sexuais e procriação. Argumentam que aquilo que era bom e não tinha
relação com o pecado deveria continuar na eternidade. Pareceria uma injustiça privar os salvos da
intimidade do relacionamento conjugal. Neste aspecto, trata-se de uma subestimação pueril do
caráter e poder de Deus. É bom lembrar as palavras do apóstolo Paulo, “Nem olhos viram, nem
ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles
que o amam” (1Co 2:9). É preciso confiar, Deus tem algo infinitamente melhor entesourado para os
Seus filhos redimidos do que casamento e sexo. Certamente os relacionamentos na vida por vir
serão mais íntimos do que no casamento e a comunicação mais profunda do que o sexo.

Este artigo foi publicado originalmente na revista Parousia, Ano 4 – Nº 1, 1º Semestre de
2005, p. 89-110.

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