Já se descobriu que os efeitos benéficos do vinho, especialmente o tinto, devem-se aos flavonóides e resveratrol das uvas. Mas o etanol das bebidas alcoólicas provoca várias lesões no corpo. Vamos ver o que elas causam no cérebro humano.
Escrevi este artigo baseado nas matérias ?Alcohol ?s Damaging Effects on the Brain? (?Efeitos Danosos do Álcool no Cérebro?) do site do ?Instituto Nacional sobre o Abuso do Álcool e o Alcoolismo? (NIAAA), ligado ao ?Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos? (NIH), número 63, Outubro 2004. Disponível em http://pubs.niaaa.nih.gov/publications/aa63/aa63.htm , e ?Imaging and Alcoholism: A Window on the Brain? (?Imagem e Alcoolismo: Uma Janela no Cérebro?), do mesmo Instituto, número 47, Abril 2000, em http://pubs.niaaa.nih.gov/publications/aa47.htm
Dificuldade de andar, visão borrada, fala pastosa, reações lentificadas, distúrbio de memória, são alguns efeitos do álcool no cérebro que ocorrem apenas após um ou dois drinques e são resolvidos sem complicação se a pessoa para de beber. Por outro lado, se a pessoa bebe muito por um longo período de tempo, ela pode ter deficiências no cérebro que irão persistir mesmo depois que ela fique sóbria.
Vários fatores influenciam como e até que ponto o álcool afeta o cérebro, dentre eles: quanto e com que freqüência a pessoa bebe; a idade em que começou a beber e por quanto tempo tem bebido; a idade dela, nível de educação, gênero, fatores genéticos, e história de alcoolismo na família; em risco maior por ter sido exposto ao álcool na gravidez da mãe, e como está o estado geral da saúde.
Resultados de estudos de autópsias mostram que os pacientes com história de consumo crônico de álcool têm cérebros menores, mais leves e mais encolhidos do que os adultos não alcoólicos da mesma idade e gênero. Isto foi confirmado em muitas Tomografias Computadorizadas e Ressonâncias Magnéticas. As imagens das estruturas mostram lesão cerebral mesmo na ausência de outras condições médicas que poderiam indicar alcoolismo severo, como doença crônica do fígado ou demência induzida pelo álcool.
O impressionante é que as imagens mostram que o encolhimento do cérebro produzido pelo álcool é mais extenso no córtex do lobo frontal, centro das funções intelectuais executivas, responsável pelo pensar. Nas pessoas que bebem mais de cinco anos seguidamente ocorre um encolhimento do cérebro bem maior do normalmente. Este encolhimento também foi verificado em outras regiões cerebrais ligadas à memória, no cerebelo (parte posterior do cérebro), que ajuda a regular a coordenação e o equilíbrio.
Mulheres são mais vulneráveis aos efeitos lesivos do álcool do que os homens e desenvolvem mais cirrose, lesão do músculo cardíaco induzida pelo álcool (cardiomiopatia), e lesão de nervos (neuropatia periférica), após poucos anos de beber pesado, comparadas com homens alcoólicos. Mas ainda não está claro se elas também sofrem mais lesões cerebrais do que os homens pelo consumo de álcool.
Até 80% dos alcoólicos têm deficiência de Tiamina (Vit. B1) e alguns desenvolvem sérias doenças cerebrais como a Síndrome de Wernicle-Korsakoff podendo levar a uma duradoura e debilitante psicose (loucura), e incluindo confusão mental, paralisia dos nervos que movem os olhos e dificuldades com a coordenação muscular.
Mulheres grávidas que bebem álcool podem produzir no bebê a Síndrome Alcoólica Fetal. Seu bebê nascerá muito menor em tamanho, cérebro com menor volume (microencefalia), menor número de células cerebrais, e poucos neurônios que funcionam normalmente, gerando problemas de aprendizagem e comportamento. Estas crianças apresentam sinais especiais no rosto, como nariz curto e chato, menor circunferência da cabeça, menor abertura dos olhos, lábios superiores muito fino, a pele dobra-se no canto dos olhos, etc.
As boas novas são que as funções cognitivas e de coordenação motora podem melhorar, pelo menos parcialmente, dentro de 3 a 4 semanas de abstinência, acompanhado de uma, pelo menos, parcial reversão do encolhimento cerebral, assim como recuperação das funções metabólicas no lobo frontal e cerebelo. O fluir de sangue no lobo frontal melhora com a abstinência, retornando aos níveis normais, aproximadamente dentro de 4 anos. A recaída no beber leva de novo ao encolhimento cerebral, queda do metabolismo e da função cognitiva, mostrando evidências de lesão celular. E verificou-se que ocorre a neurogênese, ou seja, surgimento de novas células nervosas no cérebro através das células stem desde que os indivíduos parem de beber.
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