Embora
injeções de sangue animal em seres humanos já houvessem sido feitas no
século 17, a primeira transfusão de sangue humano em seres humanos foi
realizada em 1818, pelo médico inglês James Blundell. Tais experimentos
foram, no entanto, de pouco êxito até a descoberta dos grupos
sangüíneos, em 1900, pelo imunologista austríaco Karl Landsteiner. Como
essas experiências começaram muitos séculos após o período bíblico, é
óbvio que as Escrituras não tratam explicitamente do assunto.
O uso do
sangue como alimento é proibido tanto no Antigo Testamento (Gn 9:4; Lv
3:17; 7:27; 17:10-14; 19:26) como no Novo Testamento (At 15:20, 29;
21:25). Pesquisas científicas têm confirmado que o consumo oral
de sangue não é conveniente pelo fato de ele ser indigesto, de fácil
decomposição e um veículo não apenas de nutrientes mas também de
impurezas prejudiciais ao aparelho digestivo.
Mas é interessante notarmos que o sangue
de animais era vertido durante o Antigo Testamento como um símbolo do
sangue de Cristo a ser derramado sobre o Calvário pela salvação da raça
humana (ver Hb 9:11-28; I Jo 1:7).
Uma vez que apenas o uso do sangue como
alimento é proibido nas Escrituras, e que o sangue era
vertido vicariamente pela salvação espiritual dos pecadores, por que
razão não poderíamos realizar transfusões de sangue para a salvação
física das pessoas?
Sendo que nenhuma proibição é encontrada
nas Escrituras à transfusão venal de sangue, cremos que esta pode e deve
ser ministrada sempre que o propósito seja salvar vidas. A recusa de
ministrá-la a alguém que a necessite é uma transgressão direta tanto (1)
do princípio de preservação da vida, enunciado através do mandamento
“Não matarás” (Êx 20:13), como (2) do amor cristão, expresso na
declaração de Cristo: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém
a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo 15:13).
Fonte: Alberto Timm, Sinais dos Tempos, agosto de 1997, p. 27.
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